A LITERATURA SAGRADA E O CONTROLE DAS MASSAS
O CASO DO ESTADO ISLÂMICO
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https://doi.org/10.56579/rei.v7i1.1493Palavras-chave:
Hermenêutica, Estado Islâmico, Paul Ricoeur, Grupos SociaisResumo
Neste trabalho é realizado um estudo do uso da literatura sagrada no controle das massas, analisando o caso do Estado Islâmico de acordo com abordagem hermenêutica de Paul Ricoeur, avaliando as implicações sociais, econômicas, políticas e religiosas. A forma de dominação não se existe apenas pela dita “revelação divina”, mas pelo embasamento escriturístico apresentado pelos representantes dos grupos religiosos que se utilizam de uma forma hermenêutica, muitas vezes alegórica, ou literalista, para implantação de suas visões de mundo. Assim, a força de dominação das massas, que podem identificados como grupos sociais, cidades e até países, em última análise, imana da literatura sagrada, desobedecê-la é desobedecer às ordenanças divinas. A metodologia aplicada ao trabalho é dividida na pesquisa histórico-bibliográfica sobre o islamismo, do surgimento do Estado Islâmico do Iraque e Siria, grupo fundamentalista islâmico, que assumiu atentados terroristas em diversas regiões do mundo, na abordagem hermenêutica clássica de Friedrich Schleiermacher (1768 – 1834) e Wilhelm Dilthey (1833 – 1911), a fenomenologia de Edmundo Husserl (1859 – 1938) e Martín Heiddeger (1889 - 1976) e da base contemporânea de Hans George Gadamer (1900 – 2002) e de Paul Ricoeur (1913 – 2005). Segundo as bases apresentadas por Ricœur o domínio das massas leva em consideração quatro fundamentos que influenciam a hermenêutica utilizada: os símbolos culturais; a condições culturais; as experiências dos leitores e a polissemia, ou os diversos significados dos textos e das pregações vinculadas ao texto sagrado são largamente utilizados como fontes de poder e controle das massas. A partir do estudo realizado é possível avaliar que as bases interpretativas utilizadas por grupos como o Estado Islâmico, podem ser consideradas a partir de quatro fundamentos, os símbolos culturais, a condições culturais, as experiências dos leitores e a linguagem polissêmica, propiciando uma forma de enquadramento e controle dos grupos sociais a partir do texto sagrado, impondo limites e a forma de pensar e agir de seguindo os ditames impostos pelos líderes religiosos, os quais se tornam líderes políticos.
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