ENTRE ARMADILHAS E DIREITOS

DISCURSOS INCLUSIVOS, CURRÍCULO E A PRODUÇÃO SOCIAL DAS DEFICIÊNCIAS NA PRÁTICA DOCENTE

Visualizações: 110

Autores

DOI:

https://doi.org/10.56579/rei.v7i6.2476

Palavras-chave:

Currículo, P´ratica docente, Pessoas com deficiência, Educação Inclusiva

Resumo

 O artigo analisa os fundamentos teórico-políticos da educação inclusiva com foco nas abordagens sociais da deficiência e sua relação com a prática docente. O objetivo é discutir a inclusão escolar a partir do currículo como expressão do direito à educação, recusando sua adjetivação e instrumentalização. A metodologia adotada foi de caráter teórico-analítico, com base em revisão de literatura. O estudo ancora-se em referenciais da pedagogia crítica, da sociologia da deficiência, das epistemologias do Sul e da antropologia crítica. As análises revelam que a inclusão, frequentemente mobilizada como discurso normativo, opera como dispositivo de governo dos sujeitos, reforçando práticas de medicalização e responsabilização individual do professor. Evidencia-se também a importância da etnografia para compreender os sentidos da inclusão no cotidiano escolar. As discussões apontam que o acesso ao conhecimento deve ser o eixo da inclusão, deslocando o foco da adaptação para a garantia do direito à aprendizagem. Conclui-se que uma política de inclusão efetiva exige a valorização do currículo comum, o fortalecimento do compromisso público da escola e o reconhecimento da prática docente como ato político e coletivo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Fábio Junio da Silva Santos, Universidade de São Paulo

Doutor em Educação pela Faculdade de Educação - Universidade de São Paulo, bolsista CAPES. Mestre em Educação pela Faculdade de Educação - Universidade de São Paulo, bolsista CAPES. Especialista em Deficiência Intelectual - UNESP /Marília. Graduado em Letras e Pedagogia. Coordenador Pedagógico na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Atuo como tutor no curso de especialização "Bullying, Violência, Preconceito e Discriminação na Escola"/ UNIFESP. Fui tutor no curso de Pós-Graduação "Educação 5.0: Metodologias Ativas e Ensino Híbrido para professores da rede municipal de São José dos Campos, ofertado pela Coordenadoria de Desenvolvimento Profissional e Práticas Pedagógicas - CDeP3 (UNESP). Atuou como facilitador na Universidade Virtual do estado de São Paulo - UNIVESP. Atuou como orientador de disciplina no curso de Pedagogia UNESP Polo Pq. São Carlos. Pesquisador nas temáticas: campo das deficiências, políticas sociais, escolarização e pessoas com deficiência, circuitos educativos, memórias familiares. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Diferenças, deficiências e desigualdades - intersecções no campo da educação e do Grupo de Trabalho Estudios Críticos en Discapacidad do Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais - CLACSO.

Referências

ALCÂNTARA, Ramon Luís de Santana. A ordem do discurso na Educação Especial. 2011. Dissertação (Mestrado em Educação). Programa de Pós-graduação em Educação - Universidade Federal do Maranhão. São Luís, 2011.

BANCO MUNDIAL. Inclusão das Pessoas com Deficiência na América Latina e no Caribe: Um Caminho para o Desenvolvimento Sustentável. Sumário Executivo. Washington, DC: Banco Mundial, 2021.

BARBOSA, Maria Aparecida. Estrutura e formação do conceito nas línguas especializadas: tratamento terminológico e lexicográfico. Revista Brasileira de Linguística Aplicada. Belo Horizonte, v. 4, n. 1, p. 55-86, 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/S1984-63982004000100006

BIANCHETTI, Lucídio. Aspectos históricos da apreensão e da educação dos considerados deficientes. In: BIANCHETTI, Lucídio; FREIRE, Ida Mara (orgs). Um olhar sobre a diferença: interação, trabalho e cidadania. 4. ed. Campinas: Papirus, 2001.

BIESTA, Gert. Para além da aprendizagem: educação democrática para um futuro humano. Tradução de Risaura Eichenberg. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

BRAH, Avtar. Diferença, diversidade, diferenciação. Cadernos Pagu, Campinas, n. 26, p. 329–376, 2006. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-83332006000100014

CAVALLARI, Juliana Santana. O equívoco no discurso da inclusão: o funcionamento do conceito de diferença no depoimento de agentes educacionais. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, v. 10, n. 3, p. 667–680, 2010. DOI: https://doi.org/10.1590/S1984-63982010000300009

CLÍMACO, Julia. La diferencia convertida en discapacidad en los discursos jurídicos y pedagógicos brasileños: un análisis de las leyes de educación especial. Polyphōnía. Revista de Educación Inclusiva, 3(2), 135-151, 2019. Disponível em: http://revista.celei.cl/index.php/PREI/article/view/145. Acesso em: 13 maio, 2024.

CUNHA, Ana Carolina Castro P. Deficiência como expressão da questão social. Serviço Social & Sociedade, n. 141, p. 303–321, maio 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/0101-6628.251

CÚPULA REGIONAL DA AMÉRICA LATINA E CARIBE SOBRE DEFICIÊNCIAS, 2024. Nota Conceitual. Disponível em: https://www.riadis.org/cupula-regional-sobre-deficiencias-2024-portg/. Acesso em: 21 fev. 2025.

DURYEA, Suzanne ; SALAZAR SALAMANCA, Juan Pablo; PINZON CAICEDO, Mariana. Somos todos: Inclusão de pessoas com deficiência na América Latina e no Caribe. Banco Interamericano de Desenvolvimento, 2019. Disponível em:https://publications.iadb.org/pt/somos-todos-inclusao-de-pessoas-com-deficiencia-na-america-latina-e-no-caribe. Acesso em: 10 mar. 2025.

FERRANTE, Carolina; V. FERREIRA, Miguel A. Cuerpo, discapacidad y trayectorias sociales: dos estudios de caso comparados. Antropología Experimental, [S. l.], n. 8, 2014. Disponível em: https://revistaselectronicas.ujaen.es/index.php/rae/article/view/2020. Acesso em: 20 mar. 2025.

FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

GARCIA, Rosalba Maria Cardoso; MICHELS, Maria Helena. Política de educação especial e currículo: disputas sobre natureza, perspectiva e enfoque. Revista Teias, Rio de Janeiro, v. 19, n. 55, p. 54–70, 2018. DOI: https://doi.org/10.12957/teias.2018.37239

KAUFFMAN, James M.; HORNBY, Garry. Inclusive vision versus special education reality. Education Sciences, 10(9), 258, 2020. DOI: https://doi.org/10.3390/educsci10090258

LASTA, Leticia Lorenzoni; HILLESHEIM, Betina. Políticas de inclusão escolar: produção da anormalidade. Psicologia & Sociedade, n. 26, p.140-149, 2014. Disponível em: [https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=309331565015. Acesso em: 15 out. 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-71822014000500015

LOPES, Alice Casimiro. Discursos nas políticas de currículo. Currículo sem Fronteiras, v.6, n.2, pp.33-52, Jul/Dez, 2006.

LOZANO, Diana Convers; CIFUENTES, Floralba Herrera. Aporte para la discusión sobre la educación inclusiva: configuración de subjetividades políticas en jóvenes con discapacidad intelectual a cognitiva. Revista Aletheia, Vol. 6, nº 2, jul.-dic., pp. 114-135, 2014. DOI: https://doi.org/10.11600/21450366.6.2aletheia.114.135

MACEDO, Elizabeth. Como a diferença passa do centro à margem nos currículos: o exemplo dos PCN. Educação & Sociedade, Campinas, 30(106): 87-109, 2009. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-73302009000100005

MICHELS, Maria Helena; GARCIA, Rosalba Maria Cardoso. Sistema educacional inclusivo: conceito e implicações na política educacional brasileira. Cad. Cedes, Campinas, v. 34, n. 93, p. 157-173, maio-ago. 2014. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-32622014000200002

OCAMPO GONZÁLEZ, Aldo. La educación inclusiva como estratégia analítica. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 15, n. 1,p. 2-26, jan./mar. 2020. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v15i1.13302

PAGNI, Pedro A. A emergência do discurso da inclusão escolar na biopolítica: uma problematização em busca de um olhar mais radical. Revista Brasileira de Educação, v. 22, n. 68, p. 255–272, jan. 2017. DOI: https://doi.org/10.1590/s1413-24782017226813

PLETSCH, Márcia Denise; MENDES, Geovanna M. Lunardi; EBERSÖHN, Liesel. Desafios Globais e Locais da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva: Potencialidade de uma Cartografia em Construção. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 30, p. e0190, 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/1980-54702024v30e0190

QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: QUIJANO, Anibal. A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais, perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005.

SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (orgs.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2009.

SCHUCH, Patrice; VÍCTORA, Ceres Gomes; SILVA, Sérgio Baptista da. As políticas de inclusão como problemática de engajamento antropológico. Horiz. antropol., Porto Alegre, ano 24, n. 50, p. 7-24, jan./abr. 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/s0104-71832018000100001

SKLIAR, Carlos. Seis perguntas sobre a questão da inclusão ou de como acabar de uma vez por todas com as velhas - e novas - fronteiras em educação. Pro-posições. Campinas, v. 12, n. 2-3 (35-36), jul./nov. 2001.

MASSCHELEIN, Jan; SIMONS, Maarten. Em defesa da escola: uma questão pública. São Paulo: Autêntica, 2013.

UNESCO. Relatório de Monitoramento Global da Educação 2020: América Latina e Caribe - Inclusão e educação para todos. Paris, UNESCO, 2020.

VICTORIA MALDONADO, Jorge A. El modelo social de la discapacidad: una cuestión de derechos humanos. Bol. Mex. Der. Comp., Ciudad de México, v. 46, n. 138, p. 1093-1109, dic. 2013. DOI: https://doi.org/10.1016/S0041-8633(13)71162-1

YOUNG, Michael, F. D. O Futuro da educação em uma sociedade de conhecimento: o argumento radical em defesa de um currículo centrado em disciplinas. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, v. 16, n. 48, p. 609-623, set./dez. 2011. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-24782011000300005

Downloads

Publicado

2025-12-22

Como Citar

Santos, F. J. da S. (2025). ENTRE ARMADILHAS E DIREITOS: DISCURSOS INCLUSIVOS, CURRÍCULO E A PRODUÇÃO SOCIAL DAS DEFICIÊNCIAS NA PRÁTICA DOCENTE . REVISTA DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES, 7(6), 01–19. https://doi.org/10.56579/rei.v7i6.2476

Edição

Seção

DOSSIÊ INCLUSÃO ESCOLAR: PRÁTICAS, RECURSOS E PERSPECTIVAS TEÓRICO-POLÍTICAS

Métricas