JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM PERNAMBUCO

ANÁLISE DAS CAUSAS E PEDIDOS

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.56579/rei.v8i1.2066

Palavras-chave:

Acesso Efetivo aos Serviços de Saúde, Defesa da Criança e do Adolescente, Judicialização da Saúde, Assistência Integral à Saúde, Preparações Farmacêuticas

Resumo

Com o objetivo de entender o fenômeno da judicialização da saúde pública, o estudo descritivo transversal quantitativo e retrospectivo analisou 749 processos do Núcleo 4.0 de Saúde da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Tal Núcleo tem competência para o processamento e julgamento de demandas relacionadas ao direito da saúde de infância e juventude conta o Estado de Pernambuco ou os municípios que o compõe. O estudo foca nas causas de pedir, pedidos e influência exercida pelo sexo do requerente. Os achados da pesquisa demonstram que 61,9% dos requerentes foram do sexo masculino, a causa de pedir mais prevalente foi relacionada ao Transtorno de Espectro Autista, com 301 pedidos, incluído na classificação “Transtornos mentais, comportamentais ou do neurodesenvolvimento” (40,2%; n=459), dados relacionados a maior prevalência de TEA em meninos; 296 pedidos foram por medicamentos, totalizando 100 produtos distintos, o que demonstra a diversificação de pedidos nesse recorte específico; 566 foram pedidos por assistência médica, dos quais 243 foram por Tratamento Multidisciplinar, que inclui profissionais de diferentes áreas da saúde, educação e especialistas em desenvolvimento, conforme as necessidades individuais do paciente. O estudo permitiu verificar que os processos analisados seguem um padrão bastante diferente das demandas de adultos, agregando informações ao debate atual sobre a judicialização da saúde e justificando o papel estratégico do Núcleo 4.0 de Saúde da Infância e Juventude, as causas de pedir e os pedidos mais frequentes são responsáveis pela maior parte dos processos e, identificado esse padrão, a pesquisa pode subsidiar a formulação e implementação de políticas pública e judiciais voltadas a sua prevenção. Ressalta-se que o estudo utiliza dados de um único estado e de um período específico. Estudos futuros, especialmente longitudinais ou envolvendo outras unidades da Federação, podem ampliar a compreensão do fenômeno e fortalecer as conclusões.

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Biografia do Autor

Marcio Jose Calaca da Silva Junior, Universidade de Pernambuco

Mestrando do Programa de Pós-graduação em Perícias Forenses da Universidade de Pernambuco – UPE. Especialista em Direito da Saúde pelo Centro universitário Maurício de Nassau - UNINASSAU. Oficial de Justiça do Tribunal de Justiça de Pernambuco, Brasil.

Isadora Dar’c Davi de Souza , Polícia Científica do Estado de Alagoas

Mestra em Perícias Forenses pela Universidade de Pernambuco - UPE. Especialista em gestão industrial pela Universidade Estácio de Sá. Perita Criminal da Polícia Científica do Estado de Alagoas, Brasil.

Mauro José Catunda Luna , Universidade de Pernambuco

Mestrando do Programa de Pós-graduação em Perícias Forenses da Universidade de Pernambuco – UPE. Residência Médica em Urologia pelo Hospital Getúlio Vargas – HGV. Médico Legista da Polícia Civil do Estado de Pernambuco, Brasil.

Ivan Dieb Miziara , Universidade de São Paulo

Doutor em Otorrinolaringologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP. Brasil, São Paulo, São Paulo. Professor Livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, FMUSP, Brasil.

Adriana Conrado de Almeida , Universidade de Pernambuco

Doutora em Saúde Materno Infantil pelo Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira - IMIP. Professora Livre-docente da Universidade de Pernambuco, UPE, Brasil.

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Publicado

2026-01-26

Como Citar

Silva Junior, M. J. C. da, Souza , I. D. D. de, Luna , M. J. C., Miziara , I. D., & Almeida , A. C. de. (2026). JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM PERNAMBUCO: ANÁLISE DAS CAUSAS E PEDIDOS. REVISTA DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES, 8(1), 01–26. https://doi.org/10.56579/rei.v8i1.2066

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