TERAPIA SEXUAL COM PESSOAS CRISTÃS 0 0
CONTRIBUIÇÕES DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA PARA UMA PRÁTICA CLÍNICA CULTURALMENTE SENSÍVEL
DOI:
https://doi.org/10.56579/hhdfg025Palavras-chave:
Terapia sexual, Religiosidade cristã, Abordagem Centrada na Pessoa, Subjetividade, Prática clínicaResumo
A terapia sexual com pessoas cristãs apresenta desafios específicos relacionados à articulação entre fé, corpo e desejo, frequentemente atravessados por sentimentos de culpa, vergonha e repressão da sexualidade. Esses conflitos emergem da internalização de normas morais e religiosas que regulam a vivência da sexualidade, configurando modos de subjetivação contemporâneos que impactam diretamente a saúde mental e o bem-viver. Nesse contexto, a clínica psicológica é convocada a desenvolver práticas sensíveis à complexidade dessas experiências, evitando tanto a patologização da religiosidade quanto a imposição de modelos normativos de sexualidade. A Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), desenvolvida por Carl Rogers, apresenta-se como um referencial teórico-clínico potente ao enfatizar a experiência subjetiva e condições facilitadoras como empatia, aceitação incondicional e congruência. O objetivo deste estudo foi analisar possibilidades de adaptação da ACP na prática clínica da terapia sexual com pessoas cristãs, considerando os desafios relacionados à integração entre fé, corpo e desejo. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter teórico-reflexivo, baseado em revisão narrativa da literatura e na análise de obras clássicas da ACP, como Tornar-se Pessoa (2017), Terapia Centrada no Cliente (1992) e Um Jeito de Ser (1983). Considerando a escassez de literatura específica da ACP no campo da terapia sexual, foram integradas contribuições da terapia cognitiva sexual, de forma complementar, sem descaracterizar os pressupostos humanistas experienciais. Os achados evidenciam que a vivência da sexualidade em pessoas cristãs é marcada por tensões entre prescrições religiosas e experiências afetivas e corporais, resultando em padrões recorrentes de culpa sexual, evitação do contato com o corpo, dificuldades de comunicação sobre desejos e conflitos conjugais. Observa-se também a presença de crenças disfuncionais, como a associação entre prazer e pecado, que intensificam o sofrimento psíquico e restringem a expressão afetivo-sexual. No âmbito clínico, identificou-se que abordagens que desconsideram a religiosidade ou a tratam como obstáculo tendem a gerar resistência e fragilizar o vínculo terapêutico. Em contrapartida, a ACP favorece a construção de um espaço de escuta empática e não julgadora, no qual o cliente pode explorar sua experiência com mais liberdade e segurança. Destacam-se como elementos centrais da prática clínica a suspensão de pressupostos (a priori) e o princípio da não diretividade, que permitem ao terapeuta evitar a imposição de valores externos. Além disso, os resultados indicam que a integração entre fé, corpo e sexualidade torna-se possível quando o sujeito é acolhido em sua totalidade, favorecendo processos de ressignificação de crenças e maior autonomia. Ressalta-se ainda a importância de competências interculturais, reconhecendo a religiosidade como dimensão constitutiva da subjetividade. Conclui-se que a adaptação da ACP à terapia sexual com pessoas cristãs contribui para uma prática clínica ética, humanizada e culturalmente sensível, favorecendo a redução do sofrimento psíquico e a construção de uma vivência mais integrada da sexualidade.
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Referências
ROGERS, Carl. Tornar-se pessoa: uma visão da psicoterapia. São Paulo: Martins Fontes, 2017.
ROGERS, Carl. Terapia centrada no cliente. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
ROGERS, Carl. Um jeito de ser. São Paulo: Martins Fontes, 1983.
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Editora, 2020.
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