MASCULINIDADE NA ERA DIGITAL
UMA ANÁLISE DA SÉRIE ADOLESCÊNCIA
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https://doi.org/10.56579/cbapp.v1i1.2505Palavras-chave:
Redes Sociais, Masculinidade, Adolescência, MisoginiaResumo
O surgimento da banda larga e dos smartphones, marcado por volta dos anos 2000, transformou profundamente a forma como as pessoas se relacionavam, provocando mudanças nas interações humanas em todas as sociedades que lhes deram espaço. Nesse cenário, tais facilitadores digitais possibilitaram o surgimento das redes sociais, que não apenas intensificaram as interações e a busca por validação no meio digital, mas também se tornaram espaços para a disseminação de visões extremas sobre a masculinidade, facilitando a propagação de discursos misóginos. Durante a adolescência, fase de intensa construção identitária, esses discursos encontram terreno favorável para persuadir jovens, especialmente aqueles que experienciam isolamento social e rejeição, contribuindo para o reforço de padrões hegemônicos de masculinidade. Tendo em vista a intensificação do uso das redes sociais e a diversidade de formas de manifestação presentes nesse ambiente — como memes, imagens, vídeos, frases e outras expressões —, o presente estudo tem como objetivo analisar de que maneira o meio digital contribui para a manutenção de comportamentos machistas e de padrões associados à virilidade. Busca-se, ainda, compreender como essas dinâmicas favorecem a propagação da violência de gênero. Para tanto, utilizou-se como objeto de análise a produção audiovisual Adolescência, série produzida pela plataforma de streaming Netflix, que abordou as ideias disseminadas pela comunidade conhecida como “Incel” (celibatário involuntário), bem como as consequências da difusão de comportamentos extremos motivados por tais ideologias. A fundamentação teórica articulou autores como Aiolf et al (2024) sobre o fenômeno “incel”, Haidt (2024), Pereira e Gamas (2021) para compreender os impactos da cultura digital e a perpetuação da violência e do machismo, respectivamente e Beauvoir (2009) nas discussões de gênero. A metodologia utilizada é de caráter qualitativo, com abordagem exploratória e documental, fundamentada na análise de conteúdo da série selecionada, mediante a identificação de padrões de discurso e a análise de representações visuais relacionadas à masculinidade e misoginia, relacionando com dados de artigos acadêmicos obtidos no site de busca Google Acadêmico e na base de dados SciELO. Os resultados indicaram que a série expôs uma visão de virilidade, difundida pelas plataformas virtuais, evidenciando a influência das redes sociais tanto na perpetuação de discursos de masculinidades tóxicas quanto na desconstrução de modelos tradicionais de ser homem. As análises das fontes evidenciam que a cultura digital, ao mesmo tempo em que possibilita a formação de comunidades de apoio, também amplifica o isolamento social e a adesão de jovens a ideologias misóginas e violentas. Conclui-se que, além de representar um retrato significativo da juventude contemporânea, a obra estabeleceu um diálogo com estudos sobre os impactos das redes sociais na construção da masculinidade. A obra analisada revela a necessidade de estratégias que reduzam as consequências do avanço de ideologias misóginas no ambiente digital, especialmente entre adolescentes, destacando o papel da supervisão parental e da promoção de uma educação crítica sobre gênero e mídias digitais.
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Referências
ADOLESCÊNCIA. Direção: Philip Barantini. Reino Unido: Netflix, 2025. Série. Disponível em: https://www.netflix.com/br/title/81756069. Acesso em: 7 abr. 2025.
AIOLF, Irene et al. The incel phenomenon: A systematic scoping review. Current Psychology, United States, 10 jun. 2024. Disponível em: https://rdcu.be/egLCY. Acesso em: 7 abr. 2025.
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. 2 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
HAIDT, Jonathan. A geração ansiosa: Como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.
PEREIRA, M. J.; GAMAS, L. C. Redes sociais, masculinidade hegemônica e violência: o machismo como elemento (des) civilizacional no Brasil. Perspectivas em Diálogo: Revista de Educação e Sociedade, v. 8, n. 17, p. 215-234, 30 jun. 2021
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