DESAFIOS SOCIAIS E AMBIENTAIS ENFRENTADOS PELA COMUNIDADE RIBEIRINHA
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https://doi.org/10.56579/cbapp.v1i1.2512Palavras-chave:
População Ribeirinha, Saúde Mental, Mudanças SocioambientaisResumo
As comunidades ribeirinhas, como um dos povos nativos mais antigos do Brasil, localizam-se à beira dos rios que cercam suas moradias e, consequentemente, todos os seus espaços de vivência, onde se formam vínculos íntimos entre sujeito e natureza e se obtêm recursos naturais para a manutenção da vida. No entanto, enfrentam o desequilíbrio ambiental causado pela ampliação das indústrias, como as usinas hidrelétricas, que retiram o habitat de espécies fluviais, afetando a principal fonte de alimento e renda dos ribeirinhos. Além disso, há dificuldades no acesso aos direitos como cidadãos e uma frequente exclusão social, com obstáculos em áreas como educação, saúde, locomoção, trabalho e conectividade digital. Essas populações também são marcadas por um histórico de negligência social e política, o que acentua suas vulnerabilidades frente às mudanças que ocorrem em seus territórios. Dessa forma, é necessário que psicólogos compreendam os fatores sociais e ambientais presentes no cotidiano dessa população para promover melhor qualidade de vida e prevenir possíveis transtornos mentais decorrentes desses desafios, como depressão, burnout e outros agravos emocionais. Analisar fatores sociais e ambientais que contribuem para o sofrimento psíquico das comunidades ribeirinhas, com base em revisão da literatura atual. Busca-se elencar aspectos que afetam sua saúde mental e incentivar pesquisas que deem visibilidade às condições de vida e aos impactos psicossociais enfrentados por esses povos. Foi realizada uma revisão da literatura que analisou quatro artigos de pesquisa qualitativa, três da base SciELO e um da Rede Unida, publicados entre 2021 e 2024. A busca utilizou palavras-chave como População Ribeirinha, Saúde Mental e Mudanças Socioambientais. Os estudos foram analisados quanto a aspectos sociais, ambientais e de saúde observados nas comunidades ribeirinhas. Observou-se que a maioria da população ribeirinha brasileira pertence às classes socioeconômicas mais baixas, enfrentando obstáculos estruturais no acesso a políticas públicas e serviços básicos. Apesar de alguns programas de políticas públicas afirmativas estarem presentes, ainda há limitações no alcance e na efetividade dessas ações. A pesca, principal fonte de sustento dessas comunidades, vem sendo prejudicada por desequilíbrios ambientais causados por indústrias, especialmente hidrelétricas, que afetam o ciclo reprodutivo dos peixes e a qualidade da água. Essas populações mantêm uma relação afetiva e simbólica com seus territórios, frequentemente ameaçados por deslocamentos forçados e isolamento geográfico. A precariedade na infraestrutura de transporte compromete o acesso à saúde, educação e lazer. Além disso, a ausência de serviços de conectividade digital aprofunda o isolamento e limita a participação desses povos na vida pública e tecnológica atual. Esses fatores evidenciam vulnerabilidades que exigem mais visibilidade e aprofundamento em estudos com foco psicossocial. As comunidades ribeirinhas enfrentam dificuldades sociais e ambientais que afetam sua qualidade de vida, como o acesso limitado a serviços essenciais e a exclusão social. Um modelo assistencial centrado no indivíduo, em vez do biomédico, é necessário para considerar as especificidades culturais e ampliar o acesso à saúde. Integrar soluções adequadas é essencial para melhorar o bem-estar e preservar os vínculos dessas populações com o território.
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