TORNAR-SE ADOLESCENTE NO CONTEXTO DIGITAL 0 0
IDENTIDADE EM PERSPECTIVA DECOLONIAL
DOI:
https://doi.org/10.56579/rv324d44Palavras-chave:
Redes Sociais, Identidade, AdolescênciaResumo
A construção da identidade na adolescência tem sido amplamente estudada, porém a maior parte da produção científica brasileira ainda a aborda a partir de referenciais universalizantes, desconsiderando os marcadores de raça, classe, gênero e território que atravessam essa experiência, especialmente no contexto das redes sociais. Diante dessa lacuna, o presente trabalho tem como objetivo analisar como o ambiente digital participa da construção identitária na adolescência a partir de uma perspectiva decolonial, evidenciando de que modo as dinâmicas de visibilidade, prestígio e aceitabilidade reproduzem padrões coloniais de subjetivação que incidem de forma diferenciada sobre adolescentes negros, periféricos e latino-americanos. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada nas bases Pepsic, Biblioteca Virtual em Saúde e Portal de Periódicos CAPES, com os descritores “redes sociais”, “identidade” e “adolescência”, combinados pelo operador booleano AND. Foram incluídos artigos publicados nos últimos cinco anos, em português, disponíveis na íntegra e diretamente relacionados ao tema; excluídos os duplicados e os que não abordassem a construção identitária no contexto digital. Ao final, cinco estudos compuseram o corpus analítico, submetidos à leitura interpretativa orientada pelos conceitos de colonialidade do ser, branquitude como ideal simbólico e produção de subjetividades nas plataformas digitais. Os resultados indicam que as redes sociais operam como espaços de produção de subjetividades, intensificando dinâmicas de conformidade, comparação e monitoramento de si. A análise decolonial revelou que tais dinâmicas não são neutras: a branquitude ocupa posição de ideal estético e social nas plataformas, enquanto corporalidades, repertórios culturais e trajetórias negras e periféricas seguem sendo sistematicamente invisibilizadas ou folclorizadas. Adolescentes inseridos nesse contexto negociam pertencimento em um ambiente que frequentemente rejeita ou distorce suas referências identitárias, o que produz não apenas sofrimento psíquico, mas também um processo de alienação subjetiva em relação às próprias origens culturais. Conclui-se que tornar-se adolescente na Améfrica Latina no contexto digital implica enfrentar uma dupla pressão: a da performance constante exigida pelas plataformas e a da colonialidade que hierarquiza as formas de existência reconhecidas como legítimas. Uma leitura crítica e decolonial das redes sociais é, portanto, condição necessária para compreender a produção contemporânea das subjetividades juvenis em contextos subalternizados.
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Referências
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