SUBJETIVAÇÃO E ESCRITA DE SI NO CONTEXTO DIGITAL 0 0

ENTRE A EXPERIÊNCIA DE SI E OS DISPOSITIVOS DE VISIBILIDADE E CONTROLE NA INTERNET

Autores

  • Ana Elissa da Silva Ribeiro Instituto Parentes
  • Pedro Paulo Martins de Lira Universidade Católica de Brasília image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.56579/gepbay44

Palavras-chave:

Subjetivação, Escrita de si, Internet, Redes sociais

Resumo

Este estudo analisa a relação entre a experiência de si e os dispositivos de visibilidade e controle na internet, tomando como objeto as práticas de subjetivação mediadas pela escrita no contexto digital. O interesse pelo tema parte do reconhecimento de que a escrita autobiográfica constitui, historicamente, um recurso relevante tanto para a pesquisa quanto para a prática clínica em Psicologia, ao mesmo tempo em que as redes sociais passaram a ocupar lugar central na organização das interações sociais e na produção de subjetividade contemporânea. Diante desse cenário, torna-se necessário investigar de que forma os dispositivos digitais reconfiguram as possibilidades de narrar a si mesmo e de constituir-se como sujeito. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, por meio de revisão de literatura, contemplando obras de referência teórica, em especial os textos de Michel Foucault sobre a escrita de si, notadamente “A hermenêutica do sujeito” e “A escrita de si”, e artigos científicos indexados nas bases PePSIC e periódicos universitários, que abordam subjetivação, controle algorítmico e transformações da linguagem nas redes sociais. A análise foi conduzida de forma temática, articulando o referencial foucaultiano com produções contemporâneas sobre cultura digital e processos de subjetivação. Os resultados indicam que a escrita de si, compreendida a partir de Foucault como uma técnica voltada à constituição ética do sujeito, um exercício reflexivo pelo qual o indivíduo se transforma a si mesmo, encontra na internet um terreno simultaneamente fértil e problemático. Por um lado, as plataformas digitais ampliam as possibilidades de expressão e narração de si, democratizando o acesso a formas de visibilidade antes restritas. Por outro, essa mesma expressão é atravessada por lógicas algorítmicas que operam de modo silencioso: capturam comportamentos, mapeiam interesses, antecipam desejos e direcionam conteúdos, restringindo a liberdade de navegação e condicionando as escolhas do usuário sem que este necessariamente perceba. Identificou-se, ainda, uma reconfiguração significativa das formas de narrar a si mesmo nas redes sociais: a escrita extensa cede espaço a formatos fragmentados, marcados por vídeos curtos, linguagem abreviada e uso intensivo de emojis. O que antes pertencia à esfera íntima passa a ser gerido como conteúdo público, transformando a relação entre interioridade e exposição. Essa dinâmica não é neutra, ela incide diretamente sobre os processos de subjetivação, produzindo identidades moduladas pela lógica da visibilidade, do engajamento e da aprovação coletiva. Conclui-se que o sujeito digital e as plataformas digitais se constituem mutuamente em uma relação de coprodução, na qual os processos de subjetivação são simultaneamente possibilitados e capturados pelos dispositivos de visibilidade e controle da internet. A escrita de si, nesse contexto, não desaparece, ela se reconfigura, assumindo novas formas e novos constrangimentos. Compreender essa reconfiguração é tarefa relevante para a Psicologia, tanto no âmbito da pesquisa sobre subjetividade contemporânea quanto nas implicações para a prática clínica e para a promoção de processos mais autônomos de constituição de si.

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Biografia do Autor

  • Ana Elissa da Silva Ribeiro, Instituto Parentes

    Psicóloga. Pós-graduanda em Psicologia Política Latino-americana e Relações Étnico-Raciais e Saúde Mental pelo Instituto Parentes. Professora em regime de contrato temporário da SEEDF. Servidora Pública da Secretaria Municipal de Educação de Manaus - SEMED Manaus

  • Pedro Paulo Martins de Lira, Universidade Católica de Brasília

    Orientador(a): Pedro Paulo Martins de Lira, Mestrando em Psicologia pela Universidade Católica de Brasília. Professor do Curso de Psicologia nas faculdades: Anhanguera, Unibras. Coordenador do Curso de Psicologia na FACEV.

Referências

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Publicado

2026-08-22

Como Citar

SUBJETIVAÇÃO E ESCRITA DE SI NO CONTEXTO DIGITAL: ENTRE A EXPERIÊNCIA DE SI E OS DISPOSITIVOS DE VISIBILIDADE E CONTROLE NA INTERNET. (2026). CADERNO BRASILEIRO DE ATUALIZAÇÕES E PESQUISA EM PSICOLOGIA, 2(1), 01-02. https://doi.org/10.56579/gepbay44