PRÁTICAS RECENTES DE PSICOTERAPIA ONLINE PARA CRIANÇAS NO BRASIL DE 2015-2025 0 0
UMA REVISÃO EXPLORATÓRIA
DOI:
https://doi.org/10.56579/djsyb815Palavras-chave:
Telepsicologia, Mediação lúdica, Cuidado infantil em saúde mentalResumo
A psicoterapia on-line com crianças ganhou maior visibilidade no Brasil a partir da pandemia de COVID-19, com aumento de publicações sobre setting, recursos técnicos, participação familiar e limites da prática remota. Apesar disso, a literatura nacional ainda é dispersa e metodologicamente heterogênea. Este trabalho teve como objetivo analisar a produção científica sobre psicoterapia on-line com crianças no Brasil entre 2015 e 2025, descrevendo características metodológicas, temas investigados e lacunas do campo. Realizou-se uma revisão exploratória da literatura com buscas em PubMed, LILACS, SciELO, BDTD, PePSIC, PsycINFO e Google Acadêmico, em português, inglês e espanhol. Foram identificados 23 trabalhos. Após a exclusão de 3 registros duplicados, 20 estudos únicos foram lidos na íntegra. Os trabalhos foram tabulados e analisados de forma independente pelas autoras quanto à aderência ao tema, população, desenho metodológico e contribuição para os objetivos do estudo. As divergências foram discutidas até consenso. Ao final, 10 estudos compuseram o corpus principal de análise e discussão, 6 foram mantidos como apoio contextual e 4 foram excluídos da análise principal por não atenderem ao recorte definido. Houve concentração de publicações entre 2020 e 2024. No corpus principal, predominaram estudos qualitativos, exploratórios, dissertações, relatos de experiência e pesquisas clínico-reflexivas. A maior parte dos trabalhos foi de orientação psicanalítica, com menor presença de produções cognitivo-comportamentais. Os temas mais frequentes foram adaptação do setting, manejo do brincar, uso de recursos lúdicos digitais, participação dos pais ou responsáveis, continuidade do cuidado, privacidade, confidencialidade, vínculo terapêutico e mediação tecnológica. Os estudos convergiram quanto à viabilidade da modalidade, desde que acompanhada de adaptações técnicas, contratuais e ambientais. Os estudos de apoio reforçaram temas transversais como formação profissional, barreiras técnicas, participação familiar e desafios gerais da psicoterapia on-line. A literatura nacional descreve possibilidades clínicas e técnicas da modalidade, mas ainda apresenta predomínio de estudos descritivos, amostras pequenas e baixa produção sobre desfechos clínicos e efetividade. O material analisado indica consenso sobre a necessidade de reorganização do setting, participação familiar e preparo técnico do profissional. A psicoterapia on-line com crianças mostrou-se uma modalidade possível e relevante no contexto brasileiro, especialmente para continuidade do cuidado. No entanto, a produção científica ainda é heterogênea e insuficiente para sustentar conclusões mais amplas sobre efetividade, indicações e limites clínicos.
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Referências
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