PATOLOGIZAÇÃO DA INFÂNCIA E O SILENCIAMENTO DO SUJEITO 0 0
CONTRIBUIÇÕES DA PSICANÁLISE FRENTE À MEDICALIZAÇÃO DA VIDA
DOI:
https://doi.org/10.56579/0an0hc63Palavras-chave:
Medicalização, Infância, DiagnósticoResumo
Em um primeiro momento, este trabalho discute o fenômeno da patologização e da medicalização da vida no contexto infância, situando no entrelaçamento entre discurso científico, capitalismo e práticas contemporâneas de cuidado em saúde mental. Sendo assim, destaca-se o aumento dos diagnósticos e da medicalização de crianças e adolescentes, bem como os efeitos de segregação produzidos pela universalização de categorias diagnósticas que silenciam a singularidade do sujeito-criança. A partir da visão da psicanálise, especialmente das contribuições de Freud e Lacan, problematiza-se a noção de “criança generalizada” e seus impactos na clínica e nas instituições. Busca-se refletir criticamente sobre os efeitos da patologização e da medicalização da infância, analisando-os como dispositivos de segregação, bem como discutir seus impactos para a clínica psicanalítica com crianças. Trata-se de um estudo de natureza teórico- clínica, fundamentado em revisão de literatura psicanalítica, histórica e crítica sobre medicalização, infância e saúde mental, articulada a um recorte clínico extraído da experiência do autor no atendimento psicanalítico de crianças. O método baseia-se na análise conceitual e na reflexão clínica à luz da ética da psicanálise. A análise evidencia que processos de patologização da infância antecedem e sustentam a medicalização precoce, e a busca por diagnósticos funcionam como respostas rápidas ao mal-estar, promovendo a homogeneização das crianças e apagando suas subjetividades. Observa-se que instituições, famílias e profissionais são atravessados por discursos normativos que reforçam práticas segregatórias, ao classificar e excluir crianças que não correspondem aos padrões normativos esperados. O recorte clínico apresentado ilustra um dos desafios da clínica psicanalítica, ao evidenciar como o sofrimento infantil, quando reduzido a categorias diagnósticas, perde sua dimensão simbólica e racional. A psicanálise, ao sustentar a escuta do sujeito, amplia sua atuação ao considerar igualmente os laços familiares, incluindo os pais e responsáveis no processo da constituição e manifestação do sofrimento psíquico infantil. Ainda, a lógica da segregação, ao recusar a redução do sujeito a categorias diagnósticas e reconhecer a complexidade das relações que atravessam sua experiência, acabam se tornando uma prática de resistência. Com isso, sustentar a clínica com crianças implica, portanto, não recuar diante das pressões diagnósticas e mercadológicas, reafirmando a aposta na subjetivação como alternativa à exclusão. Por fim, conclui-se que a patologização e a medicalização da infância contribuem diretamente para processos de segregação e silenciamento do sujeito, reduzindo assim o sofrimento infantil a categorias diagnósticas, além de intervirem de forma padronizada. A psicanálise, ao operar pelo um a um e recusar a universalização, oferece uma resposta ética a esses processos, ao recolocar a singularidade, o laço social e a escuta do inconsciente no centro do cuidado.
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Referências
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