MASCULINIDADES EM DISCUSSÃO 0 0

RELATO DE EXPERIÊNCIA DE GRUPO DE ESTUDOS DO LIVRO “A VONTADE DE MUDAR” DE BELL HOOKS

Autores

  • Ana Elena Camargo Chacon Centro Universitário Salesiano de São Paulo image/svg+xml
  • Sarah Lopes da Silva Faculdade Estácio de Sá
  • Larissa Ferreira Rodrigues Universidade Federal do Ceará image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.56579/gxqtcc73

Palavras-chave:

Masculinidades, Patriarcado, Subjetividade, Grupos de Estudo Online, Feminismo

Resumo

Relato da mediação de um grupo de estudos online do livro A vontade de mudar, de bell hooks, realizado no contexto do III Congresso de Psicoterapia Brasileira: Psicoterapia no Digital: Clínica, Técnica e Presença entre Telas.  A obra propõe uma análise crítica das masculinidades e do impacto do patriarcado na construção emocional dos homens, destacando como a socialização masculina limita a expressão de afetos e sustenta dinâmicas de dominação. O grupo teve como objetivo construir um espaço de escuta e reflexão, articulando teoria e vivência. Trata-se de um relato de experiência conduzido por duas estudantes de psicologia, monitoras do congresso. A participação ocorreu por inscrição aberta, com divulgação em redes sociais, e permitia adesão voluntária. Foram realizados seis encontros semanais com duração de uma hora, pela plataforma Google Meet, iniciando com 25 participantes e mantendo média de 15 ao longo do processo. A dinâmica incluiu a leitura prévia de dois capítulos por semana, seguida de uma discussão aberta entre os participantes mediada pelas duas estudantes de psicologia.  Observou-se que a participação ativa nos encontros se concentrou em um grupo reduzido, enquanto outros se mantinham mais silenciosos, porém presentes. Apenas um homem participou de todos os encontros, mas sem se engajar verbalmente. Emergiram relatos de mães de meninos que buscavam uma criação antipatriarcal e eram socialmente questionadas por isso. Também foram compartilhadas experiências de estágio escolares, nos quais se observava o progressivo distanciamento entre meninos e meninas, evidenciando a atuação precoce dos papéis de gênero. Isso reforça a necessidade de repensar as práticas educativas desde os primeiros anos de vida. Evidenciou-se, ainda, o papel da mídia, filmes e livros na reprodução de padrões de masculinidade, contribuindo para a naturalização de práticas de dominação. A baixa participação masculina foi interpretada à luz de múltiplas possibilidades, como resistência, desconforto, desinteresse ou diálogo com a análise de hooks acerca dos processos de socialização masculina. As discussões evidenciaram a presença naturalizada do patriarcado no cotidiano, especialmente na legitimação da raiva masculina e na dificuldade de reconhecimento de práticas de dominação, como exemplo do aumento nos casos de feminicídio no Brasil em 2025.  O grupo possibilitou trocas significativas e ampliou a compreensão coletiva sobre masculinidades. A permanência dos participantes e a qualidade das discussões indicam a construção de um espaço relevante de reflexão. Apesar disso, a participação majoritariamente feminina levanta questões sobre as condições de engajamento dos homens nesse tipo de espaço, incluindo aspectos como formato, linguagem e modos de mediação. Destaca-se a importância de ampliar estratégias que favoreçam essa participação, considerando que os homens também são atravessados por formas de sofrimento no sistema patriarcal sendo, portanto, fundamental ampliar sua escuta e participação nesse debate para a transformação dessa estrutura. Nesse sentido, o feminismo se apresenta como caminho para que homens e mulheres possam estabelecer relações mais éticas e menos violentas. Destaca-se, ainda, que grupos de estudo mediados por obras teóricas são dispositivos potentes de discussões ao articular referenciais conceituais com experiências concretas dos participantes, favorecendo reflexões e transformações.

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Biografia do Autor

  • Ana Elena Camargo Chacon, Centro Universitário Salesiano de São Paulo

    Aluna do curso de Psicologia do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL)

  • Sarah Lopes da Silva, Faculdade Estácio de Sá

    Aluna do curso de Psicologia da Faculdade Estácio de Sá.

  • Larissa Ferreira Rodrigues, Universidade Federal do Ceará

    Orientadora: Mestra em Psicologia e Políticas Públicas pela Universidade Federal do Ceará

Referências

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Retrato dos feminicídios no Brasil: feminicídios no Brasil (2021–2025): evolução, padrões e desigualdades territoriais. São Paulo: FBSP, 2026. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2026/03/nota-tecnica-dia-mulher-2026.pdf. Acesso em: 06 abr. 2026.

hooks, bell . A vontade de mudar: homens, masculinidade e amor. São Paulo: Elefante, 2020.

hooks, bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2019.

hooks, bell. Tudo sobre o amor: novas perspectivas. São Paulo: Elefante, 2021.

Publicado

2026-08-21

Como Citar

MASCULINIDADES EM DISCUSSÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE GRUPO DE ESTUDOS DO LIVRO “A VONTADE DE MUDAR” DE BELL HOOKS. (2026). CADERNO BRASILEIRO DE ATUALIZAÇÕES E PESQUISA EM PSICOLOGIA, 2(1), 01-02. https://doi.org/10.56579/gxqtcc73