INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E ALGORITMOS 0 0
A CAPTURA DO DESEJO NA EXPERIÊNCIA DIGITAL E O SOFRIMENTO PSÍQUICO
DOI:
https://doi.org/10.56579/47ddmq95Palavras-chave:
Cultura Digital, Inteligência Artificial, Subjetividade, Desejo, Sofrimento PsíquicoResumo
Este estudo tem como objetivo analisar de que maneira sistemas de inteligência artificial, mediados por algoritmos em redes sociais, atuam na captura da atenção e na modulação do desejo, incidindo sobre a experiência subjetiva e contribuindo para a emergência de formas contemporâneas de sofrimento psíquico. Parte-se da hipótese de que tais sistemas não operam apenas como ferramentas de mediação informacional, mas como dispositivos que participam ativamente da organização da experiência e da produção de sentidos no ambiente digital.Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter teórico-ensaístico, fundamentada em revisão bibliográfica e análise conceitual. O estudo articula contribuições da psicanálise lacaniana, especialmente as noções de desejo e os registros Real, Simbólico e Imaginário, com a psicologia analítica de Carl Jung, a partir dos conceitos de imagem e símbolo, além das reflexões de Byung-Chul Han acerca da hipercomunicação, da fragmentação da experiência e da erosão das mediações simbólicas na contemporaneidade. A análise consiste na leitura crítica desses referenciais em articulação com o funcionamento dos sistemas algorítmicos orientados por lógicas de engajamento. Os resultados indicam que os algoritmos não se limitam à distribuição de conteúdos, mas operam como dispositivos ativos na produção de sentido, organizando regimes de visibilidade e relevância que influenciam diretamente a percepção da realidade. Observa-se que tais sistemas intensificam dinâmicas de identificação imaginária, repetição e fechamento simbólico, ao privilegiar conteúdos que reforçam circuitos autorreferentes de significação. Verifica-se, ainda, que a mediação algorítmica tende a reduzir a exposição à alteridade, favorecendo a consolidação de percepções individualizadas e pouco tensionadas da realidade compartilhada. Essas dinâmicas produzem efeitos relevantes sobre a experiência subjetiva, contribuindo para a intensificação de formas de sofrimento psíquico associadas à fragmentação da experiência, à saturação imagética e à dificuldade de simbolização. A prevalência de estímulos contínuos e a lógica de engajamento permanente tensionam os processos psíquicos de elaboração, comprometendo a mediação simbólica e favorecendo modos de relação mais imediatistas com o desejo e com o outro. Conclui-se que a inteligência artificial, mediada por algoritmos de engajamento, atua como um dispositivo de captura e direcionamento do desejo, com efeitos significativos na constituição da subjetividade e na percepção da realidade compartilhada. Ao incidir sobre os registros simbólico, imaginário e real, esses sistemas participam da reorganização da experiência subjetiva no contexto digital contemporâneo, colocando desafios teóricos e clínicos para a compreensão das novas formas de sofrimento psíquico.
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Referências
HAN, Byung-Chul. No enxame: perspectivas do digital. Petrópolis: Vozes, 2018.
JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2000.
LACAN, Jacques. O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.