ENTRE PERTENCIMENTO E DESLOCAMENTO 0 0
DESAFIOS INTERCULTURAIS NA PSICOTERAPIA ONLINE COM BRASILEIROS NO EXTERIOR
DOI:
https://doi.org/10.56579/h22sfx30Palavras-chave:
Psicoterapia online, Interculturalidade, Brasileiros no exterior, Telepsicologia, Pertencimento culturalResumo
Este resumo tem como objetivo analisar, a partir de um relato de experiência, os desafios e potencialidades da psicoterapia online com brasileiros residentes no exterior, com ênfase nas dinâmicas de pertencimento e deslocamento, nas questões interculturais e nas especificidades do cuidado psicológico mediado por Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDICs). Trata-se de um relato de experiência de natureza qualitativa, baseado em prática clínica e revisão teórica sobre psicoterapia online, telepsicologia, multiculturalismo e normativas profissionais. A experiência refere-se ao atendimento clínico de brasileiros residentes fora do país, realizado por meio de TDICs. A análise articula a prática clínica com produções científicas que discutem a eficácia da psicoterapia online, seus desafios técnicos, éticos e interpessoais, bem como a necessidade de adaptação do setting terapêutico ao ambiente digital. Dialoga ainda com estudos sobre a inserção da psicologia na cibercultura, as lacunas na formação profissional para atuação mediada por tecnologias e as contribuições do paradigma multicultural na psicoterapia. Os achados evidenciam que brasileiros no exterior buscam psicoterapia online com profissionais brasileiros como estratégia de manutenção de vínculos culturais e de facilitação da expressão emocional na língua materna, reforçando a relevância da linguagem e da cultura na construção do vínculo terapêutico. A literatura sustenta a viabilidade e eficácia dessa modalidade, especialmente na construção do vínculo clínico. Observa-se que atendimentos com profissionais estrangeiros podem gerar dificuldades na expressão emocional, destacando a importância do pertencimento cultural. Além disso, os pacientes apresentam demandas relacionadas ao processo migratório, como saudade da família, sentimentos de não pertencimento, dificuldades de adaptação cultural e fragilidade das redes de apoio. A prática clínica indica que o manejo dessas demandas exige do psicólogo uma compreensão ampliada da experiência do paciente, incluindo motivos da migração, inserção sociocultural e acesso a recursos de saúde, sendo, por vezes, necessária a articulação com outros profissionais. Essa necessidade dialoga com normativas éticas que ressaltam a responsabilidade do psicólogo na avaliação das condições de atendimento e na articulação com redes de cuidado. O atendimento intercultural mediado por TDICs apresenta ainda especificidades, como desafios relacionados a fuso horário, limites geográficos e adaptação ao setting virtual, corroborando estudos sobre dificuldades técnicas, éticas e estruturais da telepsicologia e lacunas na formação profissional. Destaca-se, por fim, a importância do desenvolvimento de competências multiculturais e sensibilidade cultural na prática clínica. A psicoterapia online com brasileiros no exterior configura-se como um dispositivo potente de cuidado em saúde mental, ao possibilitar a continuidade cultural e o fortalecimento do sentimento de pertencimento. Embora eficaz, essa modalidade demanda preparo técnico, ético e intercultural, evidenciando a necessidade de investimento na formação profissional e no desenvolvimento de práticas que articulem cuidado psicológico e mediação cultural.
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Referências
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