ENTRE O JOGO E A DEPENDÊNCIA 0 0
LUDOPATIA, PLATAFORMAS DIGITAIS E OS IMPACTOS DAS APOSTAS ESPORTIVAS NO BRASIL NO CONTEXTO DA COPA DO MUNDO DE 2026
DOI:
https://doi.org/10.56579/wz35q344Palavras-chave:
Ludopatia, Copa do Mundo, Tecnologia, Saúde mental, Apostas esportivasResumo
O presente estudo objetiva compreender a ludopatia em sua configuração contemporânea, com ênfase nas plataformas digitais e sua interface com a saúde mental. Problematiza-se como a hiperconectividade e a normalização das apostas esportivas, especialmente no contexto da Copa do Mundo de 2026, ampliam as vulnerabilidades psíquicas e sociais dos indivíduos. A ludopatia é classificada pelo DSM-5 como um transtorno relacionado a comportamentos aditivos, caracterizado pela persistência do ato de apostar a despeito de graves prejuízos pessoais, sociais e financeiros. Metodologicamente, trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada nas bases Pepsic, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Portal de Periódicos CAPES. Foram selecionados artigos publicados entre 2021 e 2026, utilizando os descritores "ludopatia", "apostas esportivas", "saúde mental" e "tecnologia digital". Os resultados indicam que a economia da atenção instrumentaliza o futebol devido à sua importância na construção de pertencimento e identidade nacional. As plataformas de apostas apropriam-se desse universo para naturalizar práticas de risco, transformando o torcedor em um consumidor subordinado à lógica mercantil. Esse cenário foi impulsionado pela Lei nº 13.756/2018, que permitiu a expansão do setor sem a devida fiscalização, resultando em endividamento e comportamentos aditivos em massa. A vulnerabilidade assume uma dimensão nacional durante a Copa do Mundo, momento em que a suspensão de rivalidades clubísticas favorece a penetração das empresas de apostas em diversas camadas sociais. Do ponto de vista clínico, a ludopatia envolve a ativação do sistema de recompensa dopaminérgico, especificamente no núcleo accumbens e no córtex pré-frontal dorsolateral. Tais mecanismos conferem ao transtorno características semelhantes às dependências químicas, manifestando episódios de impulsividade, tolerância e sintomas de abstinência. Observa-se que a democratização do acesso à internet e o baixo letramento financeiro tornam grupos socioeconomicamente desfavorecidos alvos preferenciais dessas plataformas. Conclui-se que a ludopatia transcende o diagnóstico individual, configurando-se como um fenômeno social mediado pela tecnologia e pela falha regulatória. Apesar da gravidade, a patologia permanece subnotificada nos serviços de saúde, evidenciando a carência de diretrizes específicas na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Torna-se imperativa a implementação de políticas públicas multidisciplinares que integrem o suporte psicoterapêutico à prevenção sistêmica, considerando tanto os determinantes neurobiológicos quanto os fatores socioculturais agravantes no cenário brasileiro.
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Referências
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