DISCURSOS MISÓGINOS NA CULTURA DIGITAL E SEUS EFEITOS NA PRODUÇÃO DO SOFRIMENTO PSÍQUICO FEMININO 0 0

Autores

DOI:

https://doi.org/10.56579/mabgqk43

Palavras-chave:

Misoginia digital, Violência de gênero, Subjetividade, Sofrimento Psíquico

Resumo

O presente estudo aborda o discurso misógino no contexto digital, compreendendo a misoginia online como uma forma contemporânea de consolidação do patriarcado, que perpetua desigualdades historicamente estruturadas. Dada a relevância dos impactos desses discursos na saúde mental das mulheres, este estudo objetiva compreender como os discursos misóginos em ambientes virtuais contribuem para o sofrimento psíquico feminino. Trata-se de uma revisão bibliográfica de abordagem qualitativa e caráter descritivo. A busca inicial resultou em 218 artigos encontrados nas bases Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Pepsic, Lume UFRGS e SciELO, orientada pelos descritores “misoginia digital”, “violência de gênero”, “subjetividade” e “sofrimento psíquico”. Como critérios de inclusão, foram selecionados estudos que relacionassem a misoginia digital ao sofrimento psíquico feminino, que abordassem a violência de gênero associada aos discursos misóginos e seus efeitos subjetivos, além de produções que abordassem a manifestação desses discursos no ambiente digital. Foram desconsiderados estudos sem foco nos descritores adotados ou que não contribuíam para a articulação entre eles, além de trabalhos duplicados, desalinhados aos objetivos da pesquisa ou sem contribuição direta para a linha argumentativa construída. A partir desses critérios, cinco artigos foram efetivamente incluídos na análise. Os resultados indicam que o ambiente digital reproduz relações de poder estabelecidas socialmente, contribuindo para a circulação, amplificação e legitimação dessas relações. A amplificação das desigualdades de gênero no meio virtual, facilita a organização coletiva da misoginia, evidenciada em comunidades digitais, como o movimento redpill,  que reforçam discursos antifeministas e masculinistas. Diante deste cenário, a misoginia online busca restaurar as estruturas de poder que garantem a soberania masculina e preservar a subordinação dos corpos femininos. Observou-se também, que os discursos misóginos exercem influência direta na construção da subjetividade das mulheres, estando atrelada à normas de gênero, como enquadramento em padrões de beleza, contenção sexual e capacidade de cuidado, que reforçam a submissão, inferiorização e deslegitimação desse público. Entendendo que a linguagem não apenas descreve a violência como também a produz, ao insultar, desqualificar e objetificar mulheres, afeta-se aspectos como reconhecimento, pertencimento e identidade, reafirmando posições de subordinação. Nesse contexto, observa-se o corpo feminino como lugar de vigilância, moralização, controle e valoração social, ou seja, a misoginia online atua como mecanismo de punição e correção social às mulheres, principalmente àquelas que ocupam espaços de visibilidade e autonomia. Como consequência desse cenário, identificam-se manifestações de sofrimento psíquico como vergonha, autocensura, medo, hipervigilância, retraimento, deterioração da autoestima, além de produção de silenciamento, em que mulheres restringem sua participação em ambientes digitais como forma de autoproteção. Conclui-se que o sofrimento psíquico associado aos discursos misóginos em ambientes virtuais, deve ser compreendido como um fenômeno socialmente construído, conectado à relações de poder e normas de gênero. A cultura digital intensifica práticas de violência simbólica contribuindo para a manutenção de desigualdades e para a produção de sofrimento, o que reforça a necessidade de uma abordagem crítica da psicologia diante desses fenômenos.

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Biografia do Autor

  • Aline dos Reis Dias, Faculdade Anhanguera

    Aluna do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Valparaíso de Goiás

  • Pedro Paulo Martins de Lira, Universidade Católica de Brasília

    Pedro Paulo Martins de Lira, Mestrando em Psicologia pela Universidade Católica de Brasília. Professor do Curso de Psicologia nas faculdades: Anhanguera, Unibras. Coordenador do Curso de Psicologia na FACEV

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Publicado

2026-08-20

Como Citar

DISCURSOS MISÓGINOS NA CULTURA DIGITAL E SEUS EFEITOS NA PRODUÇÃO DO SOFRIMENTO PSÍQUICO FEMININO . (2026). CADERNO BRASILEIRO DE ATUALIZAÇÕES E PESQUISA EM PSICOLOGIA, 2(1), 01-03. https://doi.org/10.56579/mabgqk43