COMO PSICOTERAPEUTAS INTERVÊM NA AUTOLESÃO NÃO SUICIDA EM ADOLESCENTES? 0 0
ANÁLISE QUALITATIVA DE PRÁTICAS CLÍNICAS
DOI:
https://doi.org/10.56579/r06dna03Palavras-chave:
Autolesão não suicida, Psicoterapia, AdolescentesResumo
A autolesão não suicida (ALNS) se refere a comportamentos deliberados de lesão ao próprio corpo sem intenção de morte, apresentando elevada prevalência na adolescência e constituindo demanda frequente na prática psicoterapêutica. Apesar de sua relevância clínica, observa-se a ausência de protocolos estruturados e de modelos psicoterápicos de referência amplamente consolidados, o que impõe desafios à condução do tratamento e à padronização das intervenções. Nesse contexto, torna-se fundamental compreender como psicólogos/as brasileiros/as têm operacionalizado o manejo clínico da ALNS em sua prática cotidiana. Compreender e detalhar as intervenções utilizadas por psicólogos/as no atendimento psicoterapêutico de adolescentes com ALNS. Trata-se de um estudo qualitativo exploratório, do qual participaram sete psicólogas clínicas, com média de 6,29 anos de experiência profissional (DP = 2,60) e idade média de 32,14 anos (DP = 3,52), autodeclaradas brancas e provenientes dos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Ceará. As participantes responderam remotamente a um Questionário de Dados Sociodemográficos e Laborais e a uma entrevista semiestruturada sobre avaliação e manejo da ALNS. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Psicologia, Serviço Social, Saúde e Comunicação Humana da Universidade Federal do Rio Grande do Sul sob o CAAE nº 80127424.0.0000.5334. Os dados foram analisados por meio da análise temática reflexiva. As intervenções relatadas incluíram acolhimento e escuta qualificada, promoção de estratégias de pedido de ajuda e desenvolvimento de autocompaixão, além de técnicas voltadas ao manejo cognitivo e às relações interpessoais. Observou-se também ênfase na identificação e no manejo das funções da ALNS, principalmente na função de regulação emocional, no fortalecimento de fatores protetivos, no envolvimento familiar e na restrição de acesso a meios utilizados para a autolesão. Contudo, emergiram fragilidades importantes, incluindo ausência de planejamento estruturado, dificuldades no engajamento dos pais/cuidadores e desafios éticos relacionados à gestão do sigilo no atendimento a adolescentes. Independentemente da abordagem teórica adotada, o trabalho com emoções e estratégias de regulação emocional foi apontado como um dos principais objetivos do tratamento da ALNS. Destaca-se a necessidade de estratégias formativas que qualifiquem o manejo prático da ALNS, especialmente no que se refere à inclusão da família e à tomada de decisão ética no contexto brasileiro. Um avanço proporcionado pelo estudo é a valorização da perspectiva de psicólogas(os) clínicas(os) sobre o processo terapêutico, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada da prática profissional no contexto brasileiro.
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Referências
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