AS CONSEQUÊNCIAS DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL DE SEUS FILHOS 0 0
DOI:
https://doi.org/10.56579/6aayk309Palavras-chave:
Saúde mental, Crianças, Relações de gênero, Violência doméstica, IntergeracionalResumo
A violência contra a mulher é qualquer ato de violência baseado no gênero que produza morte, lesão, danos físicos ou psíquicos e/ou financeiros. A taxa de feminicídio no Brasil é extremamente preocupante e tem sido discutida por organizações governamentais tanto nacionais quanto internacionais. A pauta violência doméstica é exibida em todos os veículos de informação, e deve ser combatida e erradicada. Entretanto, o fenômeno da violência é de múltiplas causalidades e multifacetado, não é um fenômeno isolado, e por isso não possui só uma vítima. Muitas das mulheres que sofrem violência por parceiro íntimo, possuem filhos. Portanto, a violência praticada entre os pais se torna uma exposição para os filhos que se encontram nesses lares. Assim, enfatiza-se que o menor que presencia ou vivencia as violências cometidas contra sua mãe, poderá ter os aspectos do seu funcionamento pleno prejudicados, e sofrer consequências fora a física, a psicológica e social. O presente estudo tem como objetivo, identificar as consequências da exposição da violência doméstica no desenvolvimento infantil dos filhos das mulheres em situação de violência. Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa e caráter exploratório. O levantamento de dados ocorreu por meio de buscas nas bases indexadoras SciELO, Pepsic, Google Acadêmico e repositórios acadêmicos de faculdades públicas e particulares como Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, selecionando-se obras publicadas entre 2015 e 2023. A análise do material foi conduzida sob a técnica de análise de conteúdo, permitindo a categorização dos achados. Os resultados revelam que a exposição à violência doméstica produz impactos multidimensionais, evidenciando uma convergência entre a naturalização da agressão e a internalização de dinâmicas socioculturais disfuncionais. Esse processo favorece a transmissão intergeracional da violência, na qual a criança, ao assimilar tais padrões, torna-se suscetível a replicar comportamentos agressivos ou a posicionar-se como vítima em relações futuras. No domínio psicoemocional, observou-se a prevalência de quadros de ansiedade, depressão e sentimentos de impotência e inferioridade, frequentemente associados a condutas externalizantes e práticas delinquenciais. No âmbito do desenvolvimento físico, as evidências apontam para a vulnerabilidade a danos somáticos diretos e à negligência quanto a necessidades básicas de alimentação e saúde. As sequelas estendem-se às dimensões psicossocial e cognitiva, manifestando-se em déficits de atenção, dificuldades de socialização e prejuízos no rendimento escolar, o que compromete a formação da visão de mundo do indivíduo. Conclui-se que, embora os danos sejam severos, as consequências podem ser mitigadas por meio de intervenções precoces e especializadas. Dada a condição de vulnerabilidade e o limitado discernimento inerente à fase infantil, é imperativo que o Estado, o Poder Judiciário e os órgãos de proteção articulem políticas públicas eficazes para a defesa dos direitos fundamentais e a interrupção do ciclo de violência intrafamiliar.
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Referências
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