A ESCUTA FENOMENOLÓGICA NA GESTALT-TERAPIA 0 0

DESAFIOS CLÍNICOS

Autores

  • Marcos André Rodrigues Dos Santos Faculdade Luciano Feijão
  • Francisco Jair Araujo Lima Faculdade Luciano Feijão

DOI:

https://doi.org/10.56579/p47ham60

Palavras-chave:

Escuta Fenomenológica, Awareness, Gestalt-terapia

Resumo

A Gestalt-terapia, como abordagem fundamentada no Existencialismo, na Fenomenologia e na Teoria de Campo. Diferentemente das terapias voltadas à modificação direta do comportamento, a Gestalt-terapia busca ampliar a awareness (consciência) do indivíduo, entendendo que a mudança decorre dessa ampliação. A relação terapêutica é caracterizada como dialógica, baseada no espaço relacional criado entre terapeuta e cliente. Nessa pesquisa, a escuta surge como elemento central do trabalho do psicólogo clínico, onde ele é o mediador essencial para o estabelecimento de um encontro genuíno e transformador para o cliente. Esta pesquisa reflete sobre a importância da escuta fenomenológica na prática da Gestalt-terapia, analisando como ela favorece o contato, a consciência e o desenvolvimento do cliente. O estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura, de caráter exploratório e descritivo. O levantamento bibliográfico foi realizado na base de dados Google Acadêmico, considerando artigos em português publicados nos últimos cinco anos. Como critérios de inclusão, textos disponíveis em português, com acesso gratuito e completo, que abordasse a tematica do estudo. De seis artigos encontrados foram selecionados apenas três artigos com aderência a tematica abordada; como critérios de exclusão, foram descartados textos duplicados, fora do recorte temporal ou sem relação com o objetivo do estudo. A análise ocorreu de forma interpretativa e temática, buscando identificar contribuições teóricas para a prática clínica. Os resultados obtidos demonstram que, quando o terapeuta escuta de forma fenomenológica, reconhecendo e valorizando os elementos que surgem de forma verbal ou não verbal do cliente, sem fazer uso de juízo de valor, de forma ética e acolhedora, o cliente passa a se ouvir com maior clareza, fortalecendo seu autoconhecimento existencial e sua autonomia. Sendo assim, quando a escuta do terapeuta ocorre de forma acolhedora e genuína, ela favorece o desenvolvimento da awareness no processo terapêutico, ao considerar a experiência do cliente a partir de sua própria perspectiva. No contexto psicoterapêutico, a escuta fenomenológica possibilita ao gestalt-terapeuta construir uma relação dialógica com o cliente, baseada no reconhecimento da alteridade. Essa postura implica uma abertura ao que emerge no “entre” do encontro terapêutico, favorecendo uma relação autêntica. O terapeuta deve estar atento às reações do cliente diante do que é dito e vivido bem como às demandas que emergem na relação terapêutica. Com sensibilidade e reflexão crítica, cabe a ele avaliar, em conjunto com o cliente, as intervenções mais adequadas ao processo. Além disso, a análise sistematizou os principais obstáculos inerentes à escuta clínica: (1) a falta de reflexão do terapeuta sobre sua própria escuta; (2) a dificuldade em lidar com diferenças de valores e perspectivas do cliente; (3) as fragilidades emocionais do próprio terapeuta; e (4) a ansiedade em “resolver” problemas dando respostas prontas. Tais obstáculos podem comprometer o processo terapêutico se não forem reconhecidos e trabalhados pelo terapeuta. Em suma, na Gestalt-terapia, a escuta fenomenológica é fundamental para promover awareness, autonomia e contato, em uma relação autêntica. Por fim, reconhecer a escuta e os obstáculos é imprescindível para uma prática clínica coerente e transformadora. Nesse sentido, destaca-se a importância de novas pesquisas que aprofundem essa temática, com mais discussões teóricas e práticas acerca da escuta clínica.

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Biografia do Autor

  • Marcos André Rodrigues Dos Santos, Faculdade Luciano Feijão

    Aluno do curso de psicologia da Faculdade Luciano Feijão.

  • Francisco Jair Araujo Lima, Faculdade Luciano Feijão

    Bacharel em psicologia pela Faculdade Luciano Feijão

Referências

ASSIS, Gustavo Alves Pereira de. A relação dialógica nas formações em Gestalt-terapia: reflexões gestaltpedagógicas. Revista da Abordagem Gestáltica: Phenomenological Studies, Goiânia, v. 29, n. 2, 2023. DOI: https://doi.org/10.18065/2023v29n2.4. Disponível em: https://revistaabordagemgestaltica.com.br/index.php/go/article/view/75. Acesso em: 23 abr. 2026

CARDOSO, Claudia Lins. A escuta fenomenológica em Gestalt-terapia. Revista da Abordagem Gestáltica: Phenomenological Studies, Goiânia, v. 29, n. 1, 2023. DOI: https://doi.org/10.18065/2023v29n1.9. Disponível em: https://revistaabordagemgestaltica.com.br/index.php/go/article/view/128. Acesso em: 23 abr. 2026.

fenomenológica e existencial: revisão sistemática qualitativa da literatura. Revista Subjetividades, Fortaleza, v. 24, n. 3, 2024. DOI: https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v24i3.e14159. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?lang=pt&pid=S2359-07692024000300604&script=sci_arttext. Acesso em: 23 abr. 2026.

Publicado

2026-08-20

Como Citar

A ESCUTA FENOMENOLÓGICA NA GESTALT-TERAPIA: DESAFIOS CLÍNICOS. (2026). CADERNO BRASILEIRO DE ATUALIZAÇÕES E PESQUISA EM PSICOLOGIA, 2(1), 01-02. https://doi.org/10.56579/p47ham60