A BANALIZAÇÃO DOS TRANSTORNOS MENTAIS NAS REDES SOCIAIS E O INCENTIVO AO AUTODIAGNÓSTICO EM SAÚDE MENTAL 0 0
DOI:
https://doi.org/10.56579/zh40fz19Palavras-chave:
Saúde Mental, Autodiagnóstico, Redes Sociais, Psicologia, BanalizaçãoResumo
Este estudo aborda a banalização dos transtornos mentais na cultura digital, considerando a forma como o sofrimento psíquico vem sendo apresentado nas redes sociais atualmente, onde há uma grande circulação de conteúdos sobre saúde mental que muitas vezes aparecem de forma simplificada e até fora de contexto, o que acaba dificultando a percepção do que realmente tem embasamento teórico e científico do que é só informação superficial. Ao mesmo tempo, é perceptível o uso cada vez mais frequente da linguagem clínica fora do contexto profissional, o que pode gerar confusão no indivíduo e fazer com que essas informações sejam tomadas como verdades absolutas. Diante disso, o objetivo deste estudo é analisar como essas informações circulam na sociedade e de que forma incentivam o autodiagnóstico em saúde mental sem que exista uma avaliação adequada por um profissional da área. Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter crítico-analítico, realizado a partir da análise de artigos científicos publicados nos últimos cinco anos, que discutem a relação entre redes sociais, saúde mental e práticas de autodiagnóstico, buscando entender de que forma esses conteúdos vêm influenciando a percepção dos indivíduos sobre si mesmos e também sobre os transtornos mentais. Os resultados mostram que há um processo de desinformação no campo da saúde mental, em que conteúdos como listas de sintomas, testes rápidos e vídeos curtos acabam facilitando uma identificação rápida, fazendo com que muitas pessoas se reconheçam naquele conteúdo e passem a se autodiagnosticar sem procurar um profissional, o que pode contribuir tanto para a descredibilização da prática psicológica quanto para a ideia de que o acesso à informação pode substituir um acompanhamento especializado. Além disso, o autodiagnóstico pode trazer riscos significativos como diagnósticos incorretos, automedicação, tratamentos inadequados e até mudanças na forma como o indivíduo se percebe, principalmente quando se considera que o diagnóstico em saúde mental não se baseia em sintomas isolados, mas em uma avaliação clínica mais ampla, que envolve a totalidade dos aspectos do sujeito e a análise do conjunto dos sinais e sintomas ao longo do tempo. Também dá pra perceber que, em alguns casos, esses conteúdos são produzidos até mesmo por profissionais, muitas vezes com foco em engajamento, o que acaba reforçando ainda mais a banalização dos transtornos mentais no ambiente digital. Conclui-se que, apesar do acesso à informação sobre saúde mental ter aumentado bastante com o uso das redes sociais, ainda é necessário ter cuidado com a forma como esses conteúdos são produzidos e consumidos, levando em conta os impactos que podem gerar na vida dos indivíduos, sendo fundamental que haja responsabilidade por parte dos profissionais na divulgação dessas informações, assim como o desenvolvimento de um olhar mais crítico por parte do público, para que haja uma compreensão mais cuidadosa, ética e fundamentada sobre saúde mental.
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