HERANÇAS DO COLONIALISMO E DESIGUALDADES NO TRABALHO DOCENTE DO ENSINO SUPERIOR

UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.56579/rei.v8i2.3207

Palavras-chave:

Colonialidade, Desigualdades, Trabalho Docente, Ensino Superior, Interseccionalidade

Resumo

A sociedade brasileira segue marcada pelas desigualdades originadas na invasão, colonização e na escravização dos povos originários, e essas ainda estruturam relações sociais, políticas e culturais. De modo interdisciplinar e com base no Feminismo Negro e na Teoria Decolonial, esse artigo analisa como colonialidade, racismo e patriarcado produzem desigualdades interseccionais no trabalho docente no Ensino Superior. Argumenta-se que a universidade, historicamente elitizada, reproduz hierarquias de gênero, raça e classe que limitam o acesso de grupos marginalizados a posições de prestígio. Evidencia-se que mulheres negras e sujeitos das classes populares enfrentam múltiplas opressões derivadas da permanência de estruturas coloniais, como a divisão sexual e racial do trabalho. Conclui-se que a interseccionalidade é ferramenta essencial para compreender e enfrentar essas desigualdades nas relações de trabalho e, em particular, na docência universitária.

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Biografia do Autor

Gabriella Marcondes do Amaral, Universidade Estadual do Paraná

Graduada em Psicologia pela Universidade Paranaense (UNIPAR), pós-graduada em Políticas Públicas e Direitos Sociais pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER) e pós-graduada em Gestão Pública - Residência Técnica pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Tem experiência em docência no Ensino Superior com atuação no curso de Psicologia e experiência como Psicóloga nas Políticas Públicas de Segurança, Saúde e Assistência Social. Atualmente Servidora Pública do Estado do Paraná, atua como Psicóloga no Núcleo Regional de Educação (NRE) do município de Assis Chateaubriand-Pr, é mestranda no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar Sociedade e Desenvolvimento (PPGSeD) da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) e membro do Grupo de Pesquisa Gênero, Trabalho e Políticas Públicas (GTPP) vinculado à UNESPAR, desenvolvendo pesquisa no âmbito da interseccionalidade de gênero, raça e classe social.

Maria Inez Barboza Marques, Universidade Estadual do Paraná

Assistente Social. Doutora em Serviço Social pela PUC/SP (2015). Docente Associada no Curso de Serviço Social da Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR, na graduação em Serviço Social e no Programa de Mestrado Interdisciplinar Sociedade e Desenvolvimento (PPGSED). Coordenadora do Grupo de Pesquisa Gênero, Trabalho e Políticas Públicas, certificado pelo CNPQ. Coordenadora do Centro de Educação em Direitos Humanos da Unespar/Apucarana. Temas de pesquisa: relações de gênero: história, violências e políticas públicas; trabalho e divisão sexual do Trabalho; Direitos Humanos em sua transversalidade com as variáveis de classe, gênero, raça/etnia, sexualidade e interseccionalidades. Brasil, Paraná, Londrina.

Wilma dos Santos Coqueiro, Universidade Estadual do Paraná

Doutora em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá. Docente associada do Colegiado de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Desenvolvimento (PPGSeD) da Universidade Estadual do Paraná/campus de Campo Mourão. Líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação, Diversidade e Cultura (GEPEDIC). Possui pesquisas científicas publicadas sobre intersecções de gênero e raça, literatura brasileira, literatura de autoria feminina, literatura afro-brasileira e literatura e ensino. Brasil, Paraná, Campo Mourão.

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Publicado

2026-04-07

Como Citar

Amaral, G. M. do, Marques, M. I. B., & Coqueiro, W. dos S. (2026). HERANÇAS DO COLONIALISMO E DESIGUALDADES NO TRABALHO DOCENTE DO ENSINO SUPERIOR: UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL. REVISTA DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES, 8(2), 01–21. https://doi.org/10.56579/rei.v8i2.3207

Edição

Seção

DOSSIÊ EDUCAÇÃO BÁSICA, DIVERSIDADE E INTERSECÇÕES: ABORDAGENS INTERDISCIPLINARES SOBRE SABERES, POLÍTICAS E PRÁTICAS EDUCATIVAS

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