ENCANTAMENTO E RESISTÊNCIA NA ESCOLA

UMA ESCUTA SENSÍVEL NO ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO

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Autores

  • Glauco Roberto da Silva

DOI:

https://doi.org/10.56579/cbapp.v1i1.2530

Palavras-chave:

Resistência, Encantamento, Escola, Fracasso Escolar, Libertadora

Resumo

Este trabalho tem como objetivo pensar uma leitura crítica e sensível da escola e, com ela, refletir sobre a possibilidade da educação como prática de resistência e encantamento, articulada à experiência de observação na disciplina de estágio de Psicologia Escolar II, com as contribuições de Adriana Marcondes Machado (1996), Paula, Araújo e Almeida (2019), bell hooks (2013) e Luiz Antônio Simas e Luiz Rufino (2020). A proposta é discutir como práticas escolares tradicionais ainda reproduzem mecanismos de repressão e produção do fracasso escolar, em contraste com uma perspectiva emancipadora, que integra razão, afetividade, emoção, experiência e encantamento — entendido, com Simas e Rufino, como política de vida que afirma a pluralidade e a reconexão com o viver — no processo de ensino-aprendizagem. A metodologia consistiu na observação de um ambiente escolar, a partir do estágio em Psicologia Escolar II, com registros em diário de campo durante dois meses. Perceberam-se tensões entre práticas disciplinadoras e os gestos livres, criativos e encantados das crianças. Paralelamente, buscamos por referenciais teóricos que dessem conta dessas inquietações. Obras de hooks, Machado, Paula, Araújo e Almeida, Simas e Rufino, entre outros, foram fundamentais para pensar diferentes modos de vida e conhecimento na escola, sob uma perspectiva crítica e libertadora. Durante a observação, constatou-se um ambiente escolar marcado pela rigidez, engessamento e sistematização teórica, que valoriza a produtividade em detrimento do gesto inocente. A espontaneidade poética infantil foi frequentemente reprimida pela instituição, como no caso de uma criança que, ao interagir livremente, foi silenciada e colocada na fila por uma professora. O episódio ilustra a crítica de hooks à educação tradicional, que forma sujeitos disciplinados, mas desconectados de sua integralidade. Também evidencia o que Simas e Rufino (2020) denunciam como desencantamento do mundo: uma lógica que sufoca experiências sensíveis, plurais e criativas — justamente aquelas que poderiam afirmar o encantamento como política de vida. A observação foi adensada pelo diálogo com Machado (1996), que denuncia a patologização das dificuldades de aprendizagem como estratégia que individualiza problemas institucionais, reforçando o fracasso escolar. O cruzamento entre as observações e os textos analisados demonstra que o psicólogo escolar deve ir além do diagnóstico, atuando como agente de possíveis de transformação institucional, atento à ausência do gesto espontâneo e às formas micro de exclusão. Em síntese, buscamos propor pensamentos que encontrem nos gestos, nas palavras e sons no gesto poético do brincar uma educação libertadora que com bell hooks, nos encoraja alimenta práticas de amor e sensibilidade, e com o encantamento de Simas e Rufino (2020), que valoriza as expressões subjetivas e a inteireza da vida das crianças diante das estruturas que produzem hierarquização, fracassos e desigualdades. A escuta do psicólogo escolar deve acolher e potencializar a humanidade dos estudantes.

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Biografia do Autor

Glauco Roberto da Silva

Mestre e Divulgação cultural. Aluno do Curso de Graduação em Psicologia no Centro Universitário UniEinstein. E-mail: 

Referências

HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução de MarceloBrandão Cipolla. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Encantamento: sobre política de vida. [S. l.]: Mórula Editorial, 2020. E-book Kindle.

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Publicado

2025-09-24

Como Citar

Silva, G. R. da. (2025). ENCANTAMENTO E RESISTÊNCIA NA ESCOLA: UMA ESCUTA SENSÍVEL NO ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO. CADERNO BRASILEIRO DE ATUALIZAÇÕES E PESQUISA EM PSICOLOGIA, 1(1), 01–02. https://doi.org/10.56579/cbapp.v1i1.2530

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