INTERSECÇÃO ENTRE GÊNERO E SAÚDE MENTAL DA MULHER

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Autores

  • Shirlei Muci Faculdade Anhanguera
  • Priscila Dantas da Costa Garcia Universidade Federal de São Carlos

DOI:

https://doi.org/10.56579/cbapp.v1i1.2681

Palavras-chave:

Gênero, Saúde Mental, Opressão, Diversidade

Resumo

O presente trabalho busca analisar a intersecção entre gênero e saúde mental, e em como as normas sociais e as expectativas impostas às mulheres afetam a sua saúde mental. A análise tem como base as obras de autores como Franca Basaglia, Valeska Zanello, Sigmund Freud, Monica Lagarde e Raewyn Connell, oferecendo diferentes perspectivas sobre a construção social da mulher e implicações sobre a saúde mental. Através dessas contribuições, é perceptivel como as normas de gênero limitam frequentemente a ação de mulheres, intensificando pressões sociais, gerando sofrimento psiquico, impactando negativamente a qualidade de vida. A metodologia que utilizada, consiste na revisão da literatura, que permite o entendimento abrangente das dinâmicas sociais que influenciam a saúde mental das mulheres. Elementos críticos como a violência doméstica, desigualdades socioeconômicas, culturais e o estigma associado aos transtornos mentais são identificados como barreiras significativas que dificultam o acesso a serviços de saúde. Franca Basaglia, autora italiana, apresenta a saúde mental feminina como um fenômeno social e histórico, resultado do descaso institucional que impacta a vida das mulheres. Basaglia argumenta que as mulheres frequentemente enfrentam condições adversas, incluindo violência de gênero e discriminação no ambiente de trabalho, fatores esses que contribuem para a deterioração de sua saúde mental. Essa perspectiva ressalta a ideia de que a "loucura" ou os problemas de saúde mental não são fenômenos isolados, mas sim influenciados por contextos sociais e culturais em que as mulheres estão inseridas. Monica Lagarde, autora mexicana, complementa esta análise ao propor uma crítica das estruturas de gênero que relegam as mulheres a papéis de cuidadoras, levando frequentemente à repressão de suas próprias necessidades e à internalização de padrões de comportamento limitantes.  A psicanálise freudiana, por sua vez, oferece uma abordagem sobre a psicologia feminina que, embora pertinente, é frequentemente criticada por não considerar suficientemente as influências sociais nas questões de saúde mental das mulheres. Essa crítica é corroborada por Raewyn Connell, que discute como as normas de gênero e as relações de poder afetam tanto mulheres quanto homens, perpetuando um ciclo de opressão resultando sofrimento emocional generalizado. Valeska Zanello enriquece ainda mais a discussão ao enfatizar a diversidade das experiências femininas. Argumentando que as causas sociais e culturais do adoecimento mental são fundamentais para uma abordagem eficaz em saúde mental. A necessidade de intervenções sensíveis ao gênero é clara, já que mulheres de diferentes origens e contextos culturais vivenciam a saúde mental de maneiras distintas. Reconhecer essa diversidade é essencial para o desenvolvimento de políticas de saúde mental que realmente atendam às necessidades específicas das mulheres. Por fim, a análise conclui que a intersecção entre gênero e saúde mental é complexa e multifacetada, exigindo um olhar crítico e inclusivo para promover um cuidado mais equitativo e eficaz. As perspectivas de Basaglia, Lagarde, Freud, Connell e Zanello oferecem um entendimento abrangente das vivências femininas, ressaltando a importância de superar as normas sociais limitantes e estigmas que continuam a existir.

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Biografia do Autor

Shirlei Muci, Faculdade Anhanguera

Aluna do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Sorocaba

Priscila Dantas da Costa Garcia, Universidade Federal de São Carlos

Mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos. Professora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Sorocaba

Referências

BASAGLIA, Franca. Mujer, locura y sociedad. Puebla: Universidad Autónoma de Puebla. 1. ed. 1985.

CONNELL, Raewyn. Masculinities. Los Angeles: University of California Press 2. ed. 2005.

FREUD, Sigmund. Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. São Paulo: Companhia das letras, 2016.

LAGARDE, M. “El género”, fragmento literal: ‘La perspectiva de género’. In: LAGARDE, M. Género y feminismo: desarrollo humano y democracia. Madrid: Horas y Horas, 1996. p. 13-38.

ZANELLO, Valeska. Saúde mental, gênero e dispositivos: cultura e processos de subjetivação. Curitiba: Editora Appris, 2020.

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Publicado

2025-10-15

Como Citar

Muci, S., & Garcia, P. D. da C. (2025). INTERSECÇÃO ENTRE GÊNERO E SAÚDE MENTAL DA MULHER. CADERNO BRASILEIRO DE ATUALIZAÇÕES E PESQUISA EM PSICOLOGIA, 1(1), 01–02. https://doi.org/10.56579/cbapp.v1i1.2681

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