O SISTEMA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL (SINAPIR) COMO UMA POLÍTICA PÚBLICA INTERSECCIONAL

Visualizações: 51

Autores

  • Camila Camilozzi Alves Costa de Albuquerque Araújo Universidade Federal de Santa Catarina
  • Patrícia de Moraes Lima Universidade Federal de Santa Catarina
  • João Carlos Nogueira Universidade Federal de Santa Catarina

Palavras-chave:

Política pública, Interseccionalidade, Igualdade Racial, Sinapir

Resumo

As desigualdades sociais e raciais no Brasil configuram-se como barreiras estruturais à efetivação da democracia e dos direitos sociais, atingindo de forma desproporcional a população negra, maioria estatística no país. Este artigo analisa a política pública de promoção da igualdade racial a partir do processo de implementação do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) junto aos entes federados estados e municípios brasileiros, com enfoque interseccional. A pesquisa adota metodologia quanti-qualitativa e exploratória, utilizando revisão bibliográfica, análise documental e em bases de dados estatística, como o IBGE, o Painel Sinapir e o Relatório do mapeamento, pesquisa realizada sobre o Sinapir e os consórcios públicos municipais. Os resultados revelam baixa adesão municipal ao Sistema, o que fragiliza a capilaridade e a efetividade da política, comprometendo sua capacidade de enfrentar as desigualdades raciais em escala nacional. A análise se fundamenta nos operadores conceituais de políticas públicas (Saravia, 2006; Azevedo, 2003), racismo estrutural (Almeida, 2019) e interseccionalidade (Crenshaw, 2002; Akotirene, 2019), e aponta que a consolidação da igualdade racial requer não apenas instrumentos jurídicos, mas também estratégias de transversalidade e articulação federativa. O estudo indica que agendas transversais podem representar caminhos potenciais para fortalecer políticas públicas de promoção da igualdade racial no Brasil.

Biografia do Autor

Camila Camilozzi Alves Costa de Albuquerque Araújo, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutoranda pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Patrícia de Moraes Lima, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutora pela Universidade Universidade Federal de Santa Catarina.

João Carlos Nogueira, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutorando pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Referências

AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Pólen, 2019.

ALMEIDA, Heloísa; et al. Numas, 10 anos: um exercício de memória coletiva. In: SAGGESE, Gustavo et al. (Org.). Marcadores Sociais da Diferença: Gênero, sexualidade, raça e classe em perspectiva antropológica. São Paulo: Terceiro Nome; Gamma, 2018.

ALMEIDA, Sílvio. Racismo Estrutural. São Paulo: Pólen, 2019.

AZEVEDO, Sérgio de. Políticas públicas: discutindo modelos e alguns problemas de implementação. In: SANTOS JÚNIOR, Orlando A. Dos (et. al.). Políticas públicas e gestão local: programa interdisciplinar de capacitação de conselheiros municipais. Rio de Janeiro: FASE, 2003.

BRASIL. Lei n. 12.288, de 20 de julho de 2010. Institui o Estatuto da Igualdade Racial. Brasília, 20 de julho de 2010. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12288.htm. Acesso em: 15 ago. 2025.

BRASIL. Decreto n. 8.136, de 5 de novembro de 2013. Aprova o regulamento do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial - Sinapir, instituído pela Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010. Brasília, 05 de novembro de 2013. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/decreto/d8136.htm. Acesso em: 20 ago. 2025.

BRASIL. Ministério do Planejamento e Orçamento – MPO. Transversalidade nas Políticas Públicas, no Plano e no Orçamento. Brasília: Subsecretaria de Temas Transversais/SOF/MPO, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/planejamento/pt-br/assuntos/orcamento/arquivos/guia1-geral-web.pdf. Acesso em: 21 ago. 2025.

BRASIL. Ministério da Igualdade Racial. Painel Sinapir. Brasília, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/composicao/secretaria-de-gestao-do-sistema-nacional-de-promocao-da-igualdade-racial/diretoria-de-avaliacao-monitoramento-e-gestao-da-informacao/sinapir. Acesso em: 21 ago. 2025.

COLLINS, Patrícia Hill. Em direção a uma nova visão: raça, classe e gênero como categorias de análise e conexão. In: MORENO, Renata (org.). Reflexões e práticas de transformação feminista. São Paulo: SOF, 2015.

COLLINS, Patricia Hill.; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. São Paulo: Boitempo Editorial, 2021.

CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 1, p. 171–188, 2002. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2002000100011.

FOUCAULT, Michel. A verdade e as formas jurídicas. Rio de Janeiro: NAU, 2012.

GEHRE, Thiago; MARTINS, Ana Paula Antunes (orgs.). Guia de interseccionalidades na Agenda 2030. Brasília, DF: Universidade de Brasília, 2021. Disponível em: https://gtagenda2030.org.br/wp-content/uploads/2021/09/guia-da-agenda-2030_vf.pdf. Acesso em: 21 ago. 2025.

HIRATA, Helena. Gênero, classe e raça: Interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais. Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 26, n. 1, jun. 2014. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-20702014000100005.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico 2022: Identificação étnico-racial da população, por sexo e idade - Resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/3105/cd_2022_etnico_racial.pdf Acesso em: 25 jul. 2025.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Atlas da Violência 2025. Rio de Janeiro: IPEA, 2025.

LÖSCH, S.; RAMBO, C.A.; FERREIRA, J.de L. A pesquisa exploratória na abordagem qualitativa em educação. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023141, 2023. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17958.

MINAYO, M. C. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 21. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

MINAYO, M. C. S.; ASSIS, S. G.; SOUZA, E. R. (Org.). Avaliação por triangulação de métodos: Abordagem de Programas Sociais. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2005.

NOGUEIRA, João Carlos et al. Relatório de proposta metodológica para as políticas públicas de igualdade racial: Mapeamento governamental institucional sobre Consórcios Públicos no Brasil. Florianópolis, 2024. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1z6JjALnlrY4whpjEJd2ypX_IoaZPzbiJ/view. Acesso em: 18 ago. 2025.

OLIVEIRA, M. M. Como fazer pesquisa qualitativa. Petrópolis: Vozes, 2007.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Rio de Janeiro, 13 de outubro de 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/sites/default/files/2020-09/agenda2030-pt-br.pdf. Acesso em: 21 ago. 2025.

RUA, Maria das Graças. Análise de políticas públicas: conceitos básicos. Mimeo, 1998.

SARAVIA, Enrique. Introdução à Teoria da Política Pública. In: SARAVIA, Enrique; Ferrarezi, Elisabete. Políticas públicas: Coletânea. Brasília: ENAP, 2006.

SODRÉ, Muniz. O fascismo da cor: uma radiografia do racismo nacional. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2023.

SOUZA, Kellcia; KERBAUY, Maria Teresa. Abordagem quanti-qualitativa: superação da dicotomia quantitativa-qualitativa na pesquisa em educação. Educação e Filosofia, v. 31, n. 61, p. 21-44, jan./abr. 2017.

TEODORO, Cristina. Violência sexual na infância: gênero, raça e classe em perspectiva interseccional. Zero-a-Seis, Florianópolis, v. 24, n. Especial, p. 1582-1598, dez., 2022. DOI: https://doi.org/10.5007/1980-4512.2022.e87381.

Downloads

Publicado

2026-01-21

Como Citar

Araújo, C. C. A. C. de A., Lima, P. de M., & Nogueira, J. C. (2026). O SISTEMA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL (SINAPIR) COMO UMA POLÍTICA PÚBLICA INTERSECCIONAL . ANAIS DO SEMINÁRIO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E INTERSECCIONALIDADES, 4(1), 01–16. Recuperado de https://revistas.ceeinter.com.br/anaisseminariodepoliticaspublica/article/view/2951