VIOLÊNCIA DE GÊNERO CONTRA FUTURAS TRABALHADORAS DA SAÚDE
UMA REVISÃO DE LITERATURA
Visualizações: 39Palavras-chave:
Saúde, Brasil, Violência de Gênero, Estudantes de Ciências da Saúde, Enquadramento InterseccionalResumo
No campo da saúde, a predominância feminina, a interseccionalidade e a hierarquização das relações tornam as estudantes especialmente vulneráveis. Apesar de seu papel de promoção de avanços, o ambiente universitário ainda produz desafios estruturais, dentre eles a violência de gênero (SOUZA et al., 2021). Assim, o objetivo do foi identificar artigos científicos relacionados a violência de gênero contra futuras trabalhadoras da área da saúde. Trata-se de uma revisão integrativa, orientada pela estratégia PICO, realizada nas bases BVS (que congrega diversas bases como: LILACS, MEDLINE via PubMed, BDENF) e SciELO. Foram incluídas produções brasileiras dos últimos dez anos, com texto completo e gratuito. O processo de seleção seguiu as recomendações PRISMA (2020), assim, a amostra final foi de 8 artigos.Os resultados obtidos foram agrupados em quatro categoria, a saber: Interseccionalidade da violência de gênero; Perfil do agressor; Efeitos da violência de gênero na atuação profissional das vítimas; e Formas de lidar com a violência.Essas categorias permitiram compreender não apenas a dimensão individual da violência, mas também seus reflexos institucionais e estruturais. No campo da interseccionalidade, fatores como bem-estar e saúde mental estavam mais prejudicados em mulheres acadêmicas da saúde se comparados aos homens (MENEGATTI, 2020). A raça, classe social e orientação sexual também estiveram interligados à violência de gênero, havendo limitação na compreensão da prevalência de assédio sexual entre as estudantes do curso de medicina por se tratarem de mulheres brancas, cis-gênero, com padrão social e econômico elevados (FALBO, 2024). Apesar das mulheres serem a maioria entre os estudantes da área de saúde, o ambiente acadêmico apresenta uma predominância de homens, acima dos 40 anos, sobretudo ocupando cargos de poder (LEAL, 2023). As formas de violências variaram de assédio moral a sexual, praticadas por docentes, pacientes e até mesmo colegas (FALBO, 2024). Como consequência, os efeitos de tais agressões envolvem sofrimento mental, impacto na carreira e abuso de substâncias (LEAL, 2023; SILVA, 2021). Por outro lado, duas formas de enfrentamento citadas foram a educação profissional e a politização, como ferramentas de emancipação feminina e meios de romper com a reprodução do machismo estrutural. Outros recursos são o afastamento do violentador, a busca por acompanhamento com profissionais da saúde mental e a rede de apoio (FARIAS, 2022; LEAL, 2023). Do ponto de vista coletivo, é preciso implementar políticas públicas, de âmbito social e acadêmico, tanto para as medidas pós-violência quanto para evitar a permanência de tal cenário. Conclui-se que, apesar da escassez de estudos, a violência de gênero contra futuras trabalhadoras da saúde impacta diretamente sua saúde mental, trajetória acadêmica e perspectivas profissionais. O enfrentamento requer políticas públicas, estratégias institucionais de acolhimento e a inclusão do debate de gênero na formação em saúde.
Referências
MENEGATTI, Marina Sbeghen; ROSSAINES, Mariana Angela; SCHNEIDER, Patrick; SILVA, Larissa Gutierrez de Carvalho; COSTA, Raquel Gvozd; HADDAD, Maria do Carmo Fernandez Lourenço. Estresse e estratégia de coping utilizadas por residentes de enfermagem. Reme: Revista Mineira de Enfermagem, Belo Horizonte, v. 24, e1329, 2020. DOI: http://dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20200066.
FALBO NETO, G. H. et al.. Elaboração e validação de Instrumento de Identificação de Assédio Sexual de Estudantes de Medicina (IIASEM). Revista Brasileira de Educação Médica, [S. l.], v. 48, n. 1, p. e012, 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-5271v48.1-2022-0342.
LEAL, I. P. DE S. et al.. Violência sexual contra mulheres estudantes em escolas médicas. Revista Brasileira de Educação Médica, [S. l.], v. 47, n. 3, p. e106, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-5271v47.3-2022-0325.
SILVA, L. C. P. DA. et al. Violência de gênero sofrida por mulheres estudantes de enfermagem: estudo transversal. Revista Brasileira de Enfermagem, [S. l.], v. 74, n. 5, p. e20200539, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0539.
SOUZA, V. M. P. de; LAROCCA, L. M.; CHAVES, M. M. N.; FIALLA, M. dos R. P. M.; DURAND, M. K.; LOURENÇO, R. G. Violência de gênero no espaço universitário. Cogitare Enfermagem, Curitiba, v. 26, e67689, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.5380/ce.v26i0.67689. Acesso em: 14 set. 2025.
FARIAS, A. Z. et al.. Expressões da violência de gênero vivenciadas por terapeutas ocupacionais: narrativas e ações de enfrentamento no cotidiano. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, [S. l.], v. 30, p. e3002, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/2526-8910.ctoAO22753002.