VIOLÊNCIA DE GÊNERO CONTRA FUTURAS TRABALHADORAS DA SAÚDE

UMA REVISÃO DE LITERATURA

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Autores

  • Andressa Soares Junqueira Universidade Federal de São Carlos
  • Marina Zupiroli de Almeida Universidade Federal de São Carlos
  • Diogo Jacintho Barbosa Universidade Federal de São Carlos
  • Angélica Martins de Souza Gonçalves Universidade Federal de São Carlos

Palavras-chave:

Saúde, Brasil, Violência de Gênero, Estudantes de Ciências da Saúde, Enquadramento Interseccional

Resumo

No campo da saúde, a predominância feminina, a interseccionalidade e a hierarquização das relações tornam as estudantes especialmente vulneráveis. Apesar de seu papel de promoção de avanços, o ambiente universitário ainda produz desafios estruturais, dentre eles a violência de gênero (SOUZA et al., 2021). Assim, o objetivo do foi identificar artigos científicos relacionados a violência de gênero contra futuras trabalhadoras da área da saúde. Trata-se de uma revisão integrativa, orientada pela estratégia PICO, realizada nas bases BVS (que congrega diversas bases como: LILACS, MEDLINE via PubMed, BDENF) e SciELO. Foram incluídas produções brasileiras dos últimos dez anos, com texto completo e gratuito. O processo de seleção seguiu as recomendações PRISMA (2020), assim, a amostra final foi de  8 artigos.Os resultados obtidos foram agrupados em quatro categoria, a saber: Interseccionalidade da violência de gênero; Perfil do agressor; Efeitos da violência de gênero na atuação profissional das vítimas; e Formas de lidar com a violência.Essas categorias permitiram compreender não apenas a dimensão individual da violência, mas também seus reflexos institucionais e estruturais. No campo da interseccionalidade, fatores como bem-estar e saúde mental estavam mais prejudicados em mulheres acadêmicas da saúde se comparados aos homens (MENEGATTI, 2020). A raça, classe social e orientação sexual também estiveram interligados à violência de gênero, havendo limitação na compreensão da prevalência de assédio sexual entre as estudantes do curso de medicina por se tratarem de mulheres brancas, cis-gênero, com padrão social e econômico elevados (FALBO, 2024). Apesar das mulheres serem a maioria entre os estudantes da área de saúde, o ambiente acadêmico apresenta uma predominância de homens, acima dos 40 anos, sobretudo ocupando cargos de poder (LEAL, 2023). As formas de violências variaram de assédio moral a sexual, praticadas por docentes, pacientes e até mesmo colegas (FALBO, 2024). Como consequência, os efeitos de tais agressões envolvem sofrimento mental, impacto na carreira e abuso de substâncias (LEAL, 2023; SILVA, 2021). Por outro lado, duas formas de enfrentamento citadas foram a educação profissional e a politização, como ferramentas de emancipação feminina e meios de romper com a reprodução do machismo estrutural. Outros recursos são o afastamento do violentador, a busca por acompanhamento com profissionais da saúde mental e a rede de apoio (FARIAS, 2022; LEAL, 2023). Do ponto de vista coletivo, é preciso implementar políticas públicas, de âmbito social e acadêmico, tanto para as medidas pós-violência quanto para evitar a permanência de tal cenário. Conclui-se que, apesar da escassez de estudos, a violência de gênero contra futuras trabalhadoras da saúde impacta diretamente sua saúde mental, trajetória acadêmica e perspectivas profissionais. O enfrentamento requer políticas públicas, estratégias institucionais de acolhimento e a inclusão do debate de gênero na formação em saúde.

Biografia do Autor

Andressa Soares Junqueira, Universidade Federal de São Carlos

Graduanda do curso de medicina pela Universidade Federal de São Carlos.

Marina Zupiroli de Almeida, Universidade Federal de São Carlos

Graduanda do curso de psicologia pela Universidade Federal de São Carlos.

Diogo Jacintho Barbosa, Universidade Federal de São Carlos

Pós-doutorando em Enfermagem pela Universidade Federal de São Carlos

Angélica Martins de Souza Gonçalves, Universidade Federal de São Carlos

 Professora Associada do curso de Bacharelado em Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos.

Referências

MENEGATTI, Marina Sbeghen; ROSSAINES, Mariana Angela; SCHNEIDER, Patrick; SILVA, Larissa Gutierrez de Carvalho; COSTA, Raquel Gvozd; HADDAD, Maria do Carmo Fernandez Lourenço. Estresse e estratégia de coping utilizadas por residentes de enfermagem. Reme: Revista Mineira de Enfermagem, Belo Horizonte, v. 24, e1329, 2020. DOI: http://dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20200066.

FALBO NETO, G. H. et al.. Elaboração e validação de Instrumento de Identificação de Assédio Sexual de Estudantes de Medicina (IIASEM). Revista Brasileira de Educação Médica, [S. l.], v. 48, n. 1, p. e012, 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-5271v48.1-2022-0342.

LEAL, I. P. DE S. et al.. Violência sexual contra mulheres estudantes em escolas médicas. Revista Brasileira de Educação Médica, [S. l.], v. 47, n. 3, p. e106, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-5271v47.3-2022-0325.

SILVA, L. C. P. DA. et al. Violência de gênero sofrida por mulheres estudantes de enfermagem: estudo transversal. Revista Brasileira de Enfermagem, [S. l.], v. 74, n. 5, p. e20200539, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0539.

SOUZA, V. M. P. de; LAROCCA, L. M.; CHAVES, M. M. N.; FIALLA, M. dos R. P. M.; DURAND, M. K.; LOURENÇO, R. G. Violência de gênero no espaço universitário. Cogitare Enfermagem, Curitiba, v. 26, e67689, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.5380/ce.v26i0.67689. Acesso em: 14 set. 2025.

FARIAS, A. Z. et al.. Expressões da violência de gênero vivenciadas por terapeutas ocupacionais: narrativas e ações de enfrentamento no cotidiano. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, [S. l.], v. 30, p. e3002, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/2526-8910.ctoAO22753002.

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Publicado

2025-12-07

Como Citar

Junqueira, A. S., Almeida, M. Z. de, Barbosa, D. J., & Gonçalves, A. M. de S. (2025). VIOLÊNCIA DE GÊNERO CONTRA FUTURAS TRABALHADORAS DA SAÚDE: UMA REVISÃO DE LITERATURA. ANAIS DO SEMINÁRIO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E INTERSECCIONALIDADES, 4(1), 01–02. Recuperado de https://revistas.ceeinter.com.br/anaisseminariodepoliticaspublica/article/view/2932