ESTUDANTES TRANSEXUAIS E TRAVESTIS NA EDUCAÇÃO DE PESSOAS JOVENS E ADULTAS (EPJA)

UM ESTUDO SOBRE ALFABETIZAÇÃO E EMANCIPAÇÃO

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Autores

  • Oséias Lima da Silva Universidade Federal do Maranhão
  • Edinólia Lima Portela Universidade Federal da Bahia
  • Carina Di Leo Nogueira Costa Universidade Federal do Maranhão

Palavras-chave:

Alfabetização, Estudantes transexuais e travestis, Educação de pessoas jovens e adultas

Resumo

O presente artigo deriva de estudos que desenvolvemos no grupo de pesquisa “Escola, Currículo e Formação docente” do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em que pesquisamos, entre outros temas, as políticas de alfabetização de pessoas jovens e adultas e aqui em específico, de estudantes transexuais e travestis. Buscamos nos aproximar da perspectiva biófila defendida por Freire (1987), que reconhece a importância da vida humana, bem como a necessidade da oferta de uma educação que promova a conscientização e libertação de seu povo. Com base nessa premissa, propomo-nos neste estudo refletir sobre a alfabetização de estudantes transexuais e travestis na Educação de Pessoas Jovens e Adultas (EPJA), trilhando pela proposta de alfabetização crítica-emancipatória. Buscamos nos embasar no contexto sócio-histórico de invisibilidades e apagamentos das referidas alfabetizandas, compreendendo que os seus trajetos de escolarização são atravessados por obstáculos, pela vigilância dos corpos e pelas diversas manifestações de preconceito. Metodologicamente, percorremos pela abordagem de natureza qualitativa e de cunho bibliográfico, guiada pela relação e necessidade do objeto estudado. Para Minayo (2001), a abordagem qualitativa busca valorizar a profundidade das reflexões, destacando o rigor teórico e a consistência das argumentações, o que possibilita ampliar a compreensão de conceitos e categorias, sem a necessidade de quantificação de dados. O estudo revela que a grande maioria da população de mulheres transexuais e travestis não concretizam seus trajetos escolares, denotando a ausência de políticas específicas de alfabetização para o grupo mencionado, restando-lhes má qualidade de vida, expectativa de vida reduzida e subemprego; em casos não tão atípicos, ingressam no mercado do sexo (Veroneze, 2022). Nesse mesmo sentido para reafirmar essa assertiva, segundo os dados da Agência Nacional de Transexuais e Travestis (ANTRA, 2023) a expectativa de vida dessa fatia em exame não excede os 35 anos, esse número corresponde a apenas à metade do que vivem a população cis-heterossexual. Assim sendo, quando essas estudantes veem na escola uma alternativa de ascensão social, esse ambiente, por ainda estar sob arqueologia do monitoramento dos corpos, torna-se um lugar hostil e inseguro para essas estudantes, configurando o fenômeno de mutilação de suas cidadanias (Santos, 1993). No entanto, entendemos que alfabetização, quando conduzida pela perspectiva crítico-transformadora, pode mudar a vida dessas estudantes, permitindo-lhes que se compreendam como seres de autonomia e direitos, lutando pela sua cidadania digna. Por fim, dar centralidade às vozes das alfabetizandas transsexuais e travestis não apenas evidencia os mecanismos de exclusão que as atravessam, mas também aponta para a possibilidade de implementação de práticas de alfabetização orientadas pela perspectiva crítica, capazes de ressignificar suas experiências educativas, tornando-as pertencentes à escola e rompendo com o modelo hegemônico heteronormativo.

Biografia do Autor

Oséias Lima da Silva, Universidade Federal do Maranhão

Mestre em educação pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

Edinólia Lima Portela, Universidade Federal da Bahia

Doutora em educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Carina Di Leo Nogueira Costa, Universidade Federal do Maranhão

Mestranda em Educação pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

Referências

ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transexuais. Dossiê: Assassinatos e

violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2022. Brasília: ANTRA, 2023.

Disponível em: https://antrabrasil.org/. Acesso em: 29 ago. 2025.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Paz e Terra. 1987.

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 9. ed. São Paulo: Hucitec, 2001.

SANTOS, Milton. As cidadanias mutiladas. In: LERNER, Julio (Org.). O preconceito. São Paulo: IMESP, 1996. p. 135-145.

Veroneze, Renato Tadeu. Vulnerabilidades das travestis e das mulheres trans no contexto pandêmico. Revista Katálysis, v. 25, n. 2, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1982-0259.2022.e83737. Acesso em: 15 set. 2025.

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Publicado

2025-12-07

Como Citar

Silva, O. L. da, Portela, E. L., & Costa, C. D. L. N. (2025). ESTUDANTES TRANSEXUAIS E TRAVESTIS NA EDUCAÇÃO DE PESSOAS JOVENS E ADULTAS (EPJA): UM ESTUDO SOBRE ALFABETIZAÇÃO E EMANCIPAÇÃO. ANAIS DO SEMINÁRIO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E INTERSECCIONALIDADES, 4(1), 01–02. Recuperado de https://revistas.ceeinter.com.br/anaisseminariodepoliticaspublica/article/view/2931