POLÍTICAS FARMACÊUTICAS DE SAÚDE MENTAL EM PAÍSES COM SISTEMAS UNIVERSAIS DE SAÚDE

UMA REVISÃO DE ESCOPO

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Resumo

As políticas farmacêuticas no Brasil vêm se consolidando desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando-se a Política Nacional de Medicamentos, a Política de Medicamentos Genéricos e a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF). No campo da saúde mental, os desafios de acesso equitativo a psicofármacos e a necessidade de estratégias de uso racional dos medicamentos configuram um cenário de crescente relevância, considerando o aumento da prevalência de transtornos mentais no mundo. Sistemas de saúde universais, a exemplo do existente no Brasil, destacam a relevância do cuidado integral, com ênfase nas ações de prevenção e promoção da saúde. Este estudo teve como objetivo identificar políticas farmacêuticas e estratégias de saúde mental em países com sistemas universais de saúde (PSUS), buscando compreender como se articula a relação entre o cuidado em saúde mental e as políticas que o favorecem. Trata-se de uma revisão de escopo realizada em bases nacionais e internacionais (BVS, PubMed e Scopus), com artigos publicados entre 2013 e 2023. A busca resultou em 131 estudos, dos quais, após critérios de inclusão e exclusão, 5 foram analisados integralmente. Esses artigos possuem origem nos PSUS: Brasil, Catalunha/Espanha, Nova Zelândia, Reino Unido, Austrália e Canadá. Os resultados indicam que diferentes países adotam estratégias variadas, como a prescrição de psicofármacos por enfermeiros (Nova Zelândia e Reino Unido), políticas de equidade no acesso a antidepressivos (Austrália), análises de custo-efetividade do tratamento da esquizofrenia (Brasil) e reformas de copagamento que impactaram negativamente a adesão terapêutica (Espanha e Finlândia). Observou-se ainda que, no Canadá, a descentralização da cobertura de medicamentos entre províncias gera desigualdades no acesso. De forma geral, constatou-se que os avanços alcançados convivem com desafios estruturais, destacando a importância de conciliar sustentabilidade financeira, equidade e acesso contínuo aos medicamentos em saúde mental. Conclui-se que políticas farmacêuticas eficazes em sistemas universais de saúde devem considerar a integralidade do cuidado, a proteção social e a redução de desigualdades, priorizando estratégias que garantam a cobertura de forma segura e adequada, especialmente para populações em maior vulnerabilidade.

Biografia do Autor

Ana Beatriz Santos Reis, Universidade Estadual de Feira de Santana

Graduanda de Enfermagem pela Universidade Estadual de Feira de Santana

Dailey Oliveira Carvalho, Universidade Estadual de Feira de Santana

Doutoranda pela Universidade Estadual de Feira de Santana.

Layla Saluanne Barbosa dos Santos, Universidade Estadual de Feira de Santana

Graduanda de Enfermagem pela Universidade Estadual de Feira de Santana.

Jéssica da Silva Santos, Universidade Estadual de Feira de Santana

Graduanda de Enfermagem pela Universidade Estadual de Feira de Santana

Referências

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Publicado

2025-12-07

Como Citar

Reis, A. B. S., Carvalho, D. O., Santos, L. S. B. dos, & Santos, J. da S. (2025). POLÍTICAS FARMACÊUTICAS DE SAÚDE MENTAL EM PAÍSES COM SISTEMAS UNIVERSAIS DE SAÚDE: UMA REVISÃO DE ESCOPO. ANAIS DO SEMINÁRIO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E INTERSECCIONALIDADES, 4(1), 01–02. Recuperado de https://revistas.ceeinter.com.br/anaisseminariodepoliticaspublica/article/view/2923