INTERNALIZANDO ADAPTAÇÃO CLIMÁTICA NO DESENVOLVIMENTO REGIONAL

UMA REFLEXÃO ENTRE A ESPERANÇA MILITANTE E A AÇÃO

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.56579/rei.v8i1.2026

Palavras-chave:

Aquecimento Global, Adaptação Territorial, Qualidade de Vida

Resumo

Gestores públicos confrontados com os impactos da mudança climática frequentemente justificam a inação por ser um tema ‘novo e polêmico’. Nesse ensaio argumentamos que dois intelectuais periféricos no campo dos estudos do desenvolvimento regional, Celso Furtado e Chico Mendes, apontavam já nos anos 1970 para os limites do crescimento econômico e advogavam modelos de desenvolvimento com transição para maior justiça social e sustentabilidade, mesmo que estes termos ainda não estavam em uso. Argumentamos que Celso Furtado, um dos principais teóricos do estudo do desenvolvimento regional no país, estava à frente de seu tempo quando, em 1972, registrou o aquecimento global como desafio ao desenvolvimento. Questionamos: Existiriam campos de percepção obscurecidos que Furtado não reconhecia enquanto redigia o ensaio “Tendências estruturais do sistema capitalista na fase de predomínio das grandes empresas”? Utilizando o referencial estabelecido por Furtado, ampliamos a reflexão para apresentação de um caso empírico de desenvolvimento regional que ao longo de duas décadas promoveu uma transição ao desenvolvimento mais sustentável no Acre. Concluímos o ensaio buscando inspiração nas ações iniciadas por Chico Mendes para ressaltar o quanto este intelectual também esteve à frente de seu tempo e continua sendo atual no debate sobre a base territorial da adaptação climática.

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Biografia do Autor

Markus Erwin Brose, Universidade de Santa Cruz do Sul

Professor do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade de Santa Cruz do Sul. Brasil, Rio Grande do Sul, Santa Cruz do Sul. Graduação em agronomia pela Universidade Kassel/Alemanha (1988). Mestrado em administração pública, foco em governos locais, pela Universidade de Londres (2001). Doutorado em sociologia, com foco em participação cidadã, pela Universidade de Osnabrück/Alemanha (2007). Especialização em Impactos Sociais da Mineração Universidade Cambridge/Reino Unido e Queensland/Austrália (2010). Pós-Doutorado em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (2015). Consultor GIZ junto ao Governo do Rio Grande do Sul 1996-2002. Diretor Executivo da ONG CARE Brasil 2005-2011. Diretor da empresa Floresta Reflorestamento Ltda/Acre (2012/14). Professor da Universidade de Santa Cruz do Sul UNISC (2016).

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Publicado

2026-02-14

Como Citar

Brose, M. E. (2026). INTERNALIZANDO ADAPTAÇÃO CLIMÁTICA NO DESENVOLVIMENTO REGIONAL: UMA REFLEXÃO ENTRE A ESPERANÇA MILITANTE E A AÇÃO . REVISTA DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES, 8(1), 01–19. https://doi.org/10.56579/rei.v8i1.2026

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