A EDUCAÇÃO EUGÊNICA NO INÍCIO DO SÉCULO XX NO BRASIL
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https://doi.org/10.56579/rihga.v4i2.3748Palavras-chave:
Eugenia, Educação eugênica, Biopolítica, Raça, BranquitudeResumo
O artigo analisa a educação eugênica no Brasil da primeira metade do século XX, investigando como o discurso educacional foi apropriado pelo movimento eugenista como estratégia de condução de condutas e de produção de subjetividades. Fundamentado na perspectiva da biopolítica de Michel Foucault e desenvolvido por meio de pesquisa qualitativa, exploratória, descritiva e bibliográfica, o estudo demonstra que a educação foi concebida pelos eugenistas como instrumento central para o aperfeiçoamento biológico, moral e social da população brasileira. A pesquisa evidencia que intelectuais como Renato Kehl defenderam a difusão da educação eugênica nas escolas, articulando-a a temas como higiene, sanitarismo, genética, educação sexual, exames pré-nupciais e controle dos casamentos. Tais medidas buscavam orientar a reprodução humana, prevenir a degeneração racial e fortalecer projetos de branqueamento da população. Conclui-se que a educação ocupou papel estratégico tanto na eugenia positiva quanto na negativa, contribuindo para a consolidação de hierarquias raciais e para a constituição da branquitude no Brasil. O legado dessas práticas ultrapassou o campo educacional, influenciando políticas públicas, processos de exclusão social e representações raciais cujos efeitos ainda podem ser percebidos na sociedade brasileira contemporânea.
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