PODE CRER
O RESGATE DE MEMÓRIAS DE UMA PRÁTICA HUMANIZADA COM PESSOAS SITUAÇÃO DE RUA NA CIDADE DE SOROCABA - SP
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https://doi.org/10.56579/cbapp.v1i2.2685Palavras-chave:
Psicologia Social e Comunitária, Educação, Redução de Danos, humanização, pessoas em situação de ruaResumo
Este trabalho visa apresentar uma pesquisa de mestrado que ocorreu entre os anos de 2013 e 2015 com pessoas em situação de rua da cidade de Sorocaba-SP. O objetivo inicial do trabalho foi mapear as políticas públicas e práticas de redução de danos destinadas para pessoas em situação de vulnerabilidade social e/ou em uso abusivo de álcool e outras drogas na cidade. No decorrer da pesquisa o objetivo transformou-se, buscando compreender a educação não formal nas atividades desenvolvidas pela Associação Pode Crer a partir do olhar da Educação Popular (FREIRE; NOGUEIRA, 1999) e a articulação dela com as políticas de Redução de Danos, enquanto uma prática de humanização em saúde (BRASIL, 2014). A metodologia utilizada foi a observação participante dos projetos desenvolvidos pela ONG (Drop in, Redução de Danos em campo e Casa de Passagem) e entrevistas semiestruturadas com usuários e funcionários da “Pode Crer”, posteriormente, foi realizado uma análise categorial da coleta de dados. Pode-se perceber, através da pesquisa, que as práticas desenvolvidas com as pessoas em situação de rua e/ou uso abusivo de drogas estavam promovendo a educação não formal e a humanização, uma vez que os usuários do espaço se sentiam inseridos no seu próprio cuidado em saúde e no seu projeto de vida (corresponsabilização). Essa instituição desenvolveu um modelo de intervenção e gestão (compartilhada) como resistência aos modelos hegemônicos e de controle instituídos na cidade para esse público. A relevância de se retomar um olhar para essa dissertação de mestrado, justifica-se pelo fechamento da instituição em 2018, devido insuficiência de destinação de verbas públicas, e o maciço retorno de práticas higienistas e sanitárias pela gestão pública e instituições da cidade, a partir da lógica manicomial que sempre foi marcante e presente na história da cidade de Sorocaba- SP (BURGOS, 2013; GARCIA, 2012; HAINZ, DUARTE, GARCIA JR., 2012).
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Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Articulação Social. Departamento de Articulação Social e Mobilização Cidadã. Marco de Referência da Educação Popular para Políticas Públicas. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
BURGOS, Rosalina. Valorização do espaço e segregação socioespacial na cidade de Sorocaba: implicações na vida cotidiana. In: ENCONTRO DE GEÓGRAFOS DA AMÉRICA LATINA – EGAL, 14., 2013, Lima. Anais... , 2013. v. 1. p. 1-20.
FREIRE, Paulo; NOGUEIRA, Adriano. Que fazer: teoria e prática em educação popular. Petrópolis: Editora Vozes, 1999.
GARCIA, Marcos Roberto Vieira. A mortalidade nos manicômios da região de Sorocaba e a possibilidade da investigação de violações de direitos humanos no campo da saúde mental por meio do acesso aos bancos de dados públicos. Revista Psicologia Política, São Paulo, v. 12, n. 23, jan. 2012.
HAINZ, Carine Goto; DUARTE, Carolina Gomes; GARCIA JR, Sérgio Augusto. Movimento em FLAMAS: o fórum de luta antimanicomial de Sorocaba. In: MARTINS, Marcos Francisco (Org.). História dos movimentos sociais de Sorocaba. Holambra: Editora Setembro, 2012. p. 361-372.