A LUDICIDADE COMO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E MOTOR
RELATO DE EXPERIÊNCIA NA CONFECÇÃO DE BRINQUEDOS
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https://doi.org/10.56579/cbapp.v1i1.2513Palavras-chave:
Educação, Experiência, Brinquedos, Desenvolvimento, CriançasResumo
Este trabalho apresenta a experiência de estudantes na disciplina Psicologia do Desenvolvimento I, por meio de uma proposta teórica e prática. A proposta teve como objetivo desenvolver brinquedos fundamentados em teóricos estudados em sala. A proposta é identificar habilidades em construção nas fases do desenvolvimento infantil, e buscar atender tais habilidades. No decorrer da atividade foi idealizado o brinquedo “Fazenda Feliz” que objetiva o auxílio de crianças de 3 a 6 anos que apresentam dificuldades na habilidade de diferenciar variadas categorias e o amparo para crianças com dispraxia de diferentes idades. Consiste em uma maquete de fazenda com diferentes locais para cada animal. A narrativa é que o fazendeiro se distraiu e deixou os cercados abertos, e como consequência, os animais fugiram de seus locais originários e estão espalhados pela área da fazenda. O desafio da criança é baseado em identificar as placas com a silhueta de cada animal, colocar o animal em seu respectivo lugar de origem e dispor cada uma das peças de forma que todas da mesma categoria caibam no espaço e permaneçam em pé. Para Piaget e Inhelder (1936), a classificação diz respeito a uma forma fundamental de organização mental que se origina de esquemas sensórios motores. O brinquedo visa desenvolver tal habilidade crucial de forma lúdica. Durante a apresentação do brinquedo “Fazenda Feliz”, notou-se potencial como recurso lúdico para intervenção na dispraxia motora. O Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC) compromete a integração entre percepção sensorial, equilíbrio, propriocepção e motricidade fina, afetando a coordenação dos membros e o desempenho em tarefas motoras (Neto; Bianco, 2018). Para Leonhardt (2006) crianças com esse transtorno tendem a enfrentar dificuldades na escrita, no manuseio de objetos e na realização de movimentos coordenados, o que pode impactar negativamente sua aprendizagem e socialização. Segundo Fonseca (2004), atividades lúdicas favorecem a repetição de gestos e o refinamento da coordenação, estimulando o interesse e fortalecendo conexões neuro motoras. A proposta do brinquedo envolve posicionar animais em seus respectivos cercados, exigir planejamento motor, percepção visual e coordenação motora fina. Ademais, as crianças com o transtorno do desenvolvimento da coordenação têm a característica de apresentar cansaço muscular e dificuldades na concentração, levando que esse público apresente altos níveis de estresse e frustração causado pelas adversidades motoras (Rotta, 2016). Assim, cabe aos educadores ou familiares incentivar a criança a representar verbalmente, ou da maneira que for possível, a intenção do gesto. Desse modo, mesmo que o movimento não consiga ser realizado, essa prática poderá favorecer o entendimento da brincadeira e contribuir na construção dos gestos. Por fim, ressalta- se, que brinquedo ainda não tenha sido testado com crianças com dispraxia, configurando-se uma limitação do estudo, sendo uma possibilidade futura de pesquisa. A confecção do brinquedo contribui para a compreensão prática do desenvolvimento infantil, valorizando o brincar como atividade simbólica essencial à aprendizagem e ao desenvolvimento cognitivo e social. Além de reforçar a importância de práticas pedagógicas inclusivas na formação acadêmica e no contexto educacional.
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Referências
FONSECA, Vitor da. Psicomotricidade: Perspectivas Multidisciplinares. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.
INHELDER, Bärbel; PIAGET, Jean. A psicologia da criança. Rio de Janeiro: Ed. Bertrand do Brasil, 1993.
LEONHARDT, D. R. Avaliação e clínica das praxias e dispraxias na aprendizagem: mapeamento da dor gráfica. In: ROTTA, N. Priscila Zigunovas (Org.). Neurologia e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2016. p. 219-237
DISPRAXIAS - IDENTIFICAÇÃO PRECOCE NOS TRANSTORNOS DE DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Movimenta, [S. l.], v. 11, n. 3, p. 349–356, 2018. Disponível em: //www.revista.ueg.br/index.php/movimenta/article/view/8050.. Acesso em: 8 ago. 2025.
ROTTA, Newra Tellechea et al. Neurologia e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2016.