PESQUISA EM PSICOLOGIA SOCIAL CONTEMPORÂNEA
LACUNAS DE DADOS QUANTO A EXPERIÊNCIAS DE ASSENTADOS DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA
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https://doi.org/10.56579/cbapp.v1i1.2503Palavras-chave:
MTST, Bibliografia, Revisão, PsicologiaResumo
O presente resumo busca dar um panorama sobre a quantidade de publicações científicas contemporâneas, especialmente em universidades federais, sobre a experiência de assentados do movimento dos trabalhadores sem-terra no Brasil. Demonstrando por meio de revisão bibliográfica o indício de uma lacuna no campo científico sobre esta temática, relevante para a Psicologia Social por seu conteúdo que enseja dar voz aos indivíduos, em detrimento de estudos que apenas falam por eles, pois não tornar os estudados parte da pesquisa, implica em defender que estes são objetos do pesquisador (Freire, 1995). Analisar a produção científica contemporânea referente ao cotidiano do movimento dos trabalhadores sem-terra, buscando entender a quantidade de produção nos últimos 5 anos, e hipotetizar suas consequências. Revisão bibliográfica feita em revistas científicas, sendo elas as plataformas: “Scielo” (nesta biblioteca, foram pesquisados apenas artigos publicados na revista “Psicologia e Sociedade”), “Portal de Publicações Eletrônicas da UERJ”, “Repositório Institucional da UFSCar”, “Repositório Institucional da UFPE” e “Repositório institucional UNIFESP”, utilizando como palavras-chave os termos “movimento social” e “MTST” e o período de publicação entre os anos de 2018 e 2024. Encontrados no total 37 artigos sobre a temática deste movimento social, e apenas 10 explicitando a experiência de moradores de assentamentos de forma direta e a partir de relatos dos mesmos construindo e mediando o conhecimento gerado e expondo suas experiências. Os dados encontrados apontam para uma lacuna de pesquisa em campo central de pesquisas em Psicologia Social, a interface sujeito-contexto (Guareschi, 2008) onde diversos estudos envolvem a temática do movimento social, porém uma minoria trata da experiência subjetiva de pessoas participantes destes, e percebe-se a necessidade de trabalhos que tragam reflexões e informações sobre estas vivências citadas. Sendo a fonte desta disparidade ainda incerta, necessitando assim de maiores pesquisas, porém pode-se hipotetizar sobre causas sociais dentro do campo científico, já que a ciência não se produz na realidade como neutra, ainda que geralmente se pense desta maneira (Chalmers, 1994). A partir deste cenário entendesse que há uma baixa produção científica neste campo, e portanto, questões como compreender a constituição subjetiva dos sujeitos assentados, e por quais motivos estes permanecem nestes locais nos dias atuais, estão defasadas no debate científico, e necessitam ser revisitadas, buscando gerar conhecimento sobre quem são estas pessoas e quais seus objetivos dentro destas ocupações, ampliando assim o debate nas ciências sociais, e possíveis benefícios no que tange à produção de políticas públicas relacionadas à esta população.
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Referências
CHALMERS, Alan. A fabricação da ciência. São Paulo: Fundação Editora da Unesp, 1994 ISBN 85-7139-059-2. Disponível em: https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=EGAWUjj93-oC&oi=fnd&pg=PA9&dq=para+que+serve+a+ciencia&ots=RHBTowepoj&sig=rGo67OUch4fwfnx-BnDz-e94Yag#v=onepage&q&f=false. Acesso em: 11 mar. 2025
FREIRE, P. R. N. Conscientização: teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. São Paulo: Cortez & Moraes, 1979.
GUARESCHI, NMF. Pesquisa em psicología social: de onde viemos e para onde vamos. In RIVERO, NEE., org. Psicologia social: estratégias, políticas e implicações. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. p. 86-95. ISBN: 978-85-9966-286-1. Disponível em: books.scielo.org/id/gbqz7/pdf/rivero-9788599662861-09.pdf. Acesso em: 12 mar. 2025.