AGROECOLOGIA COMO PRÁTICA EDUCATIVA
REFLEXÕES SOBRE INTERDISCIPLINARIDADE E CURRÍCULO NO ENSINO MÉDIO
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Agroecologia, Currículo Escolar, Educação do Campo, BNCC, InterdisciplinaridadeAbstrakt
Este artigo analisa a presença da agroecologia nos documentos curriculares da educação básica brasileira, com ênfase na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) voltada para o Ensino Médio. A agroecologia é compreendida como campo epistêmico e prática social que tensiona o modelo hegemônico de produção agrícola, integrando dimensões ecológicas, sociais, políticas e culturais. O objetivo do trabalho consiste em identificar conteúdos e competências que mantenham interface com os princípios agroecológicos e refletir sobre os desafios para sua efetivação como prática educativa nos espaços escolares. Para isso, adota-se uma metodologia qualitativa, estruturada por meio de análise documental e revisão bibliográfica. O corpus analítico é constituído pela versão homologada da BNCC e por textos acadêmicos que discutem currículo, agroecologia, interdisciplinaridade e educação do campo. A análise recorre a categorias como território, sustentabilidade, alimentação, conflitos fundiários e saberes tradicionais. Os dados indicam que a agroecologia comparece de forma transversal nas áreas de Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Linguagens, ainda que sem a delimitação formal de um componente específico. A transversalidade observada depende da leitura crítica do documento e da atuação de sujeitos escolares comprometidos com práticas pedagógicas situadas e dialógicas. Os resultados também direcionam para a necessidade de projetos político-pedagógicos que reconheçam a escola como espaço de construção coletiva do conhecimento, ancorada nas experiências dos territórios e nos modos de vida do campo. A consolidação da agroecologia nos currículos escolares demanda a valorização de saberes diversos, formação docente contextualizada e investimento em políticas educacionais que reconheçam sua densidade epistemológica e seu vínculo com os direitos socioambientais. A escola, nesse contexto, assume o desafio de construir percursos formativos ancorados na realidade concreta dos sujeitos e na complexidade das relações entre sociedade, natureza e cultura.