OS NOVE PENTES D’ÁFRICA - UM OLHAR ANTIRRACISTA

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Autores

  • Flávio Félix da Silva Faculdade São Luís
  • Juliano Fabrício Antunes Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
  • Leila Aparecida de Ataides Universidade Federal de Itajubá

Palavras-chave:

Ancestralidade, Educação anti-racista, Identidade, Tradição Oral

Resumo

O presente texto propõe uma análise crítica e pedagógica da obra Os nove pentes d’África, de Cidinha da Silva, como instrumento de educação antirracista e valorização da identidade afro-brasileira. A narrativa, inicialmente voltada ao público infantojuvenil, ultrapassa essa faixa etária ao abordar, com sensibilidade, questões centrais como ancestralidade, pertencimento e resistência negra. A obra é analisada à luz da Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. A leitura foi integrada a uma proposta pedagógica interdisciplinar no 8º ano do Ensino Fundamental, envolvendo as disciplinas de Língua Portuguesa, Artes e Ensino Religioso. Os estudantes foram incentivados a refletir sobre a simbologia dos pentes e a importância da ancestralidade. A fundamentação teórica se apoia em autores como Kabengele Munanga, Nilma Lino Gomes, Ricardo Henriques e Elaine Cavalleiro, destacando o papel fundamental da oralidade, tradição e memória como eixos formadores da identidade cultural afro-brasileira. Além da análise literária, o artigo aborda a tradição oral africana como um bem imaterial e meio de preservação cultural, destacando a figura dos griôs como guardiões da memória coletiva. A ancestralidade, nesse contexto, é compreendida como elemento central na construção da autoestima, identidade e pertencimento de crianças e jovens negros. A escola, por sua vez, é apresentada como um espaço privilegiado para a promoção da equidade racial, desde que comprometida com práticas pedagógicas decoloniais e inclusivas. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a ERER (Educação das Relações Étnico-Raciais) também são discutidas como marcos legais que fundamentam a inserção de conteúdos étnico-raciais no currículo escolar. A experiência relatada evidencia que o trabalho com Os nove pentes d’África fortalece o combate ao racismo estrutural ao transformar a escola em um espaço de reconhecimento da diversidade, de valorização da cultura negra e de reconstrução da memória apagada pela escravidão.

Biografia do Autor

Flávio Félix da Silva, Faculdade São Luís

Pós-graduado em Metodologia do Ensino da Arte pela Faculdade São Luís.

Juliano Fabrício Antunes, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Mestre em Ensino de História pela UFMS.

Leila Aparecida de Ataides, Universidade Federal de Itajubá

Pós-graduada em Metodologias Ativas para a Docência na Educação Básica pela Universidade Federal de Itajubá

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Publicado

2026-01-21

Como Citar

Silva, F. F. da, Antunes, J. F., & Ataides, L. A. de. (2026). OS NOVE PENTES D’ÁFRICA - UM OLHAR ANTIRRACISTA. ANAIS DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA E EDUCAÇÃO, 5(1), 01–10. Recuperado de https://revistas.ceeinter.com.br/anaisseminariodehistoriaeeducaca/article/view/3014