OS NOVE PENTES D’ÁFRICA - UM OLHAR ANTIRRACISTA
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Ancestralidade, Educação anti-racista, Identidade, Tradição OralResumo
O presente texto propõe uma análise crítica e pedagógica da obra Os nove pentes d’África, de Cidinha da Silva, como instrumento de educação antirracista e valorização da identidade afro-brasileira. A narrativa, inicialmente voltada ao público infantojuvenil, ultrapassa essa faixa etária ao abordar, com sensibilidade, questões centrais como ancestralidade, pertencimento e resistência negra. A obra é analisada à luz da Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. A leitura foi integrada a uma proposta pedagógica interdisciplinar no 8º ano do Ensino Fundamental, envolvendo as disciplinas de Língua Portuguesa, Artes e Ensino Religioso. Os estudantes foram incentivados a refletir sobre a simbologia dos pentes e a importância da ancestralidade. A fundamentação teórica se apoia em autores como Kabengele Munanga, Nilma Lino Gomes, Ricardo Henriques e Elaine Cavalleiro, destacando o papel fundamental da oralidade, tradição e memória como eixos formadores da identidade cultural afro-brasileira. Além da análise literária, o artigo aborda a tradição oral africana como um bem imaterial e meio de preservação cultural, destacando a figura dos griôs como guardiões da memória coletiva. A ancestralidade, nesse contexto, é compreendida como elemento central na construção da autoestima, identidade e pertencimento de crianças e jovens negros. A escola, por sua vez, é apresentada como um espaço privilegiado para a promoção da equidade racial, desde que comprometida com práticas pedagógicas decoloniais e inclusivas. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a ERER (Educação das Relações Étnico-Raciais) também são discutidas como marcos legais que fundamentam a inserção de conteúdos étnico-raciais no currículo escolar. A experiência relatada evidencia que o trabalho com Os nove pentes d’África fortalece o combate ao racismo estrutural ao transformar a escola em um espaço de reconhecimento da diversidade, de valorização da cultura negra e de reconstrução da memória apagada pela escravidão.