VOZES QUE ROMPEM O SILÊNCIO
VIOLÊNCIA SIMBÓLICA E PERFORMATIVIDADE DE CORPOS DISSIDENTES NO ESPAÇO ESCOLAR
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Violência Simbólica, Juventudes, Diversidade, Performatividade, Podcast EducativoAbstrakt
Pesquisas no campo da sociologia da educação e dos estudos culturais, evidenciam que as violências simbólicas inscritas nas práticas escolares cotidianas operam como dispositivos normativos de controle e exclusão, conformando subjetividades a partir de matrizes hegemônicas de raça, gênero, sexualidade e aparência física (Butler, 2018). Ao se naturalizarem como parte do ethos institucional, tais práticas reforçam hierarquias sociais e epistemológicas que deslegitimam corpos dissidentes e silenciam modos de existência não normativos, como demonstram estudos de base qualitativa sobre juventudes, escolarização e processos de subjetivação (Carneiro, 2023). A partir de uma perspectiva interseccional e performativa, este estudo analisa práticas discursivas excludentes naturalizadas no espaço escolar, com ênfase nas repercussões subjetivas e psicossociais vivenciadas por estudantes do ensino médio. O corpus empírico constitui-se de narrativas juvenis e entrevistas com profissionais da educação e da psicologia, conduzidas em formato de podcast educativo, compreendido como tecnologia metodológica de escuta horizontalizada e produção sensível de conhecimento. As expressões analisadas revelam o funcionamento de um regime normativo sustentado por discursos que silenciam, inferiorizam e patologizam identidades não hegemônicas. Racismo, homofobia, gordofobia, sexismo e violência sexual emergem como categorias analíticas que evidenciam a persistência de práticas que produzem sofrimento e exclusão. As falas colhidas no contexto escolar expõem o esvaziamento ético das relações pedagógicas e a ausência de respostas institucionais diante de narrativas marcadas por dor, automutilação, evasão e invisibilidade. Ancorado nos aportes teóricos de autores como Butler (2018), Kohan (2017), Louro (2014) e Carneiro (2023), o estudo tensiona a lógica disciplinadora da escola e propõe a escuta como gesto formativo e político. A análise aponta para a urgência de práticas educativas que valorizem a pluralidade dos modos de existir, rompam com os imperativos de normalização e ressignifiquem o papel da escola como território de reconhecimento e de reencantamento da experiência juvenil. As contribuições das entrevistadas, uma supervisora educacional e uma psicóloga escolar, reforçam a necessidade de estratégias interdisciplinares, como rodas de conversa, projetos artísticos e dispositivos de acolhimento, capazes de reposicionar a escola diante das múltiplas violências simbólicas que a atravessam. Compreender o corpo como linguagem e memória permite deslocar o foco da correção para a escuta e da normatividade para a invenção, convocando a educação a afirmar, eticamente, a dignidade das vidas dissidentes.