“NEGRO? EU?”

IDENTIDADE RACIAL E SILENCIAMENTOS NAS ESCOLAS PÚBLICAS

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Autori

  • Ewennye Rhoze Augusto Lima Universidade Federal de Campina Grande
  • Laisa Fernanda Santos de Farias Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Ključne reči:

Identidade racial, Negritude, Educação básica

Apstrakt

O presente trabalho apresenta os resultados de um projeto de identidade desenvolvido com turmas do 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Presidente João Pessoa, localizada no município de João Pessoa, Paraíba. Intitulado “NEGRO? EU?”, o projeto teve como foco investigar como os/as estudantes reconhecem (ou silenciam) suas identidades raciais, problematizando a construção das noções de negritude nos espaços escolares a partir das intersecções entre as disciplinas de História e Geografia. A proposta partiu da inquietação sobre como a escola pública lida com as relações étnico-raciais e com a presença — muitas vezes invisibilizada — de alunos/as negros/as em seu cotidiano. A metodologia adotada foi qualitativa, com caráter participativo e investigativo. Foram realizadas rodas de conversa, análises de imagens, mapas afetivos, oficinas de leitura e produção de textos, além da aplicação de questionários e dinâmicas de autodeclaração racial. O projeto também utilizou trechos de livros, músicas e documentários que discutem a temática da negritude e o racismo estrutural. O principal recorte analítico foi a escuta ativa dos/as estudantes sobre suas percepções identitárias e os espaços — físicos, sociais e emocionais — que a negritude ocupa em suas trajetórias escolares e pessoais. Os resultados revelaram um profundo silenciamento em torno da identidade negra. Muitos/as estudantes demonstraram dificuldade em se reconhecer como pessoas negras, mesmo quando seus traços fenotípicos e histórias familiares apontavam para essa ancestralidade. O não-reconhecimento, em diversos casos, esteve associado à ausência de representatividade positiva na escola e à persistência de estigmas sociais e culturais que associam a negritude à inferioridade. As falas dos alunos evidenciaram também um certo desconforto e até negação diante da pergunta "Negro? Eu?", o que revela os efeitos de um racismo internalizado e da falta de abordagens sistemáticas sobre o tema no currículo escolar. As discussões promovidas durante o projeto contribuíram para o início de um processo de ressignificação identitária. As atividades possibilitaram que os/as estudantes refletissem sobre suas histórias, suas territorialidades e pertencimentos, articulando saberes de História e Geografia com vivências pessoais. A análise de espaços geográficos de resistência negra na cidade, como quilombos urbanos e movimentos culturais, fortaleceu a compreensão de que a negritude é vivida também como potência. Nas considerações finais, destaca-se a urgência de práticas pedagógicas que enfrentem o racismo de forma direta e que promovam a valorização das identidades negras. A experiência mostrou que é possível construir um ensino interdisciplinar que convoque os alunos a pensarem sobre quem são e sobre os territórios que ocupam, abrindo espaço para o reconhecimento e fortalecimento da identidade negra nas escolas públicas. A pergunta “Negro? Eu?” deixa de ser negação e passa a ser afirmação.

Biografije autora

Ewennye Rhoze Augusto Lima, Universidade Federal de Campina Grande

Graduanda pela Universidade UFCG

Laisa Fernanda Santos de Farias, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutoranda pela Universidade UFRN

Objavljeno

2025-12-06

Kako citirati

Lima, E. R. A., & Farias, L. F. S. de. (2025). “NEGRO? EU?”: IDENTIDADE RACIAL E SILENCIAMENTOS NAS ESCOLAS PÚBLICAS. ANAIS DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA E EDUCAÇÃO, 5(1), 01–02. преузето од https://revistas.ceeinter.com.br/anaisseminariodehistoriaeeducaca/article/view/2871