A EDUCAÇÃO DOS CORPOS E DAS SENSIBILIDADES NAS PÁGINAS DO JORNAL LIBERTÁRIO A PLEBE (1917-1935)

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Autori

  • Samira Martins Universidade de São Paulo

Ključne reči:

Pedagogia libertária, Iniciativas Informais de Educação, Movimento Anarquista, Educação dos Corpos

Apstrakt

O estudo, pautado nas investigações do mestrado, tem por objetivo identificar os recursos didático-pedagógicos colocados em prática pelos militantes anarquistas de São Paulo, do início do século XX, para educar os corpos e as sensibilidades dos trabalhadores e trabalhadoras. Busco apresentar quais recursos e argumentos foram usados para convencer os trabalhadores a adotarem determinados hábitos e comportamentos. A principal fonte da pesquisa é o jornal operário de tendência libertária A Plebe, que circulou entre os anos 1917 e 1935. Do ponto de vista teórico, a análise pauta-se nos conceitos de cultura e hegemonia de R. Williams (1979) e experiência de Edward Palmer Thompson. Metodologicamente, parto das proposições de Bruno Bontempi Jr. (2019, p. 6), que propõe pensar a imprensa como uma tribuna pública, ou seja, um espaço propício para a obra de circulação cultural em vistas da formação de consciências, da disseminação de ideologias, culturas e valores, revelando, sobretudo, um modelo de cultura política. Para melhorar as condições de vida das classes trabalhadoras e conquistar o equilíbrio social, fazia-se necessário disciplinar e corrigir os hábitos e comportamentos desses sujeitos, educar seus corpos e sensibilidades. Segundo Pedro Henrique Prado da Silva (2024, p. 40), investigar iniciativas anarquistas de educação do corpo exige a consideração de que a cultura é construída e modificada também pela sensibilidade, e que o resultado disso pode ser expresso em transformações sociais. O estudo demonstra que os militantes lançaram mão de diversas estratégias didático-pedagógicas nos jornais para induzir e convencer as classes trabalhadoras a formarem uma opinião, a adotarem um determinado comportamento, a unir-se à causa libertária e engajar-se na ação.  Ao pretender construir um tipo ideal de trabalhador, os militantes anarquistas lançaram mão de um recurso pedagógico pautado em duas representações: o trabalhador consciente em oposição ao trabalhador inconsciente. A primeira imagem é representada positivamente; a segunda, negativamente. O trabalhador inconsciente é aquele que possuía características físicas, morais e intelectuais inferiores. É o sujeito que participa do sistema político vigente e adota hábitos vistos como imorais e, como resultado, carrega as marcas físicas da degeneração. Em oposição, o trabalhador consciente é forte e combativo, é o modelo ideal de comportamento a ser seguido: ele é saudável, forte, belo, não bebe, não participa de festas e bailes e, sobretudo, luta contra a opressão promovida pelo Estado. O uso da estratégia de contrapor bons e maus exemplos visa mobilizar os sentimentos das classes trabalhadoras a fim de reforçar maneiras de agir e inculcar determinados costumes. Uma das conclusões apresentadas foi que os anarquistas formularam uma “pedagogia disciplinar libertária”, tendo em vista educar os corpos e as sensibilidades dos trabalhadores e trabalhadoras para a formação de um tipo ideal de revolucionário. A análise dos jornais evidencia que as prescrições se inscrevem em um projeto de educação dos corpos da mulher e do homem pobres. As práticas discursivas se articularam na fabricação do corpo do trabalhador como bem conformado, saudável, forte, belo e livre de vícios, evidenciando as representações dos corpos que perpassaram as prescrições enunciadas nos artigos do jornal.

Author Biography

Samira Martins, Universidade de São Paulo

Mestranda em Educação pela USP. Bolsista FAPESP

Objavljeno

2025-12-06

Kako citirati

Martins, S. (2025). A EDUCAÇÃO DOS CORPOS E DAS SENSIBILIDADES NAS PÁGINAS DO JORNAL LIBERTÁRIO A PLEBE (1917-1935). ANAIS DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA E EDUCAÇÃO, 5(1), 01–02. преузето од https://revistas.ceeinter.com.br/anaisseminariodehistoriaeeducaca/article/view/2869