MARCADORES SOCIAIS E A PERCEPÇÃO DOS/AS ESTUDANTES SOBRE RACISMO E MULHERES NEGRAS NO ENSINO DE HISTÓRIA

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Autores

  • Maria José Lima dos Santos Universidade Federal de Sergipe

Palavras-chave:

Ensino de História, História das mulheres negras, Racismo, Educação antirracista

Resumo

O ensino de História no Brasil, desde sua institucionalização, passou por diversas modificações ao longo do tempo, mas ainda preserva uma narrativa tradicional e eurocêntrica, que privilegia o homem branco cisheteronormativo. As mulheres, especialmente as mulheres negras, historicamente estiveram invisibilizadas nas narrativas históricas. Como a História foi escrita predominantemente por homens brancos pertencentes a uma elite, a representação feminina no currículo torna-se difícil. No contexto educacional, quando os negros são representados, geralmente aparecem como escravizados, com ênfase no período da colonização e do império, sempre colocados em posição de subalternidade. Diante dessa omissão, uma das minhas preocupações enquanto docente é confrontar essa história dominante. Como professora de História, não devo silenciar. Ao contrário, posso usar a sala de aula para abordar as questões étnico-raciais (Hooks, 2019). Neste contexto, destaco a relevância da história de mulheres negras, como Carolina Maria de Jesus, por meio de sua obra Quarto de Despejo, e Françoise Ega, com Cartas a uma Negra, com o objetivo de entender como o ensino de História pode ser reconfigurado para valorizar suas experiências, historicamente invisibilizadas. Esta pesquisa visa discutir a percepção dos estudantes da 3ª série B do Ensino Médio do Centro de Excelência Governador Djenal Tavares Queiroz, uma escola de tempo integral da rede estadual de ensino, localizada em Aracaju, Sergipe, sobre sua aprendizagem histórica. A metodologia utilizada consistiu na aplicação de um questionário, desenvolvido no Google Forms, com o objetivo de compreender como os estudantes se identificam socialmente. Foram feitas perguntas sobre seus marcadores sociais, como local de residência, idade, gênero e cor da pele. Além disso, foram abordadas questões sobre o conceito de racismo e a percepção da ausência de conteúdos sobre mulheres negras no ensino de História. Também foi criado um quadro informativo para a questão discursiva. Em relação às perguntas fechadas, os resultados foram analisados por meio de gráficos. Foram formulados dois questionários para entender o conhecimento dos/as alunos/as sobre o racismo. O resultado da primeira questão demonstrou que eles/as percebem o racismo cotidiano, principalmente em relação à cor da pele e ao tipo de cabelo, pois no Brasil o fenótipo é o que mede a identidade racial. Já na outra questão, metade da turma afirmou não ter presenciado casos de racismo. Isso ocorre porque há um discurso de igualdade racial vindo do mito da democracia racial. Quanto à ausência de conteúdos sobre mulheres negras no ensino de História, a maioria dos alunos confirmou a falta desses. A análise dos questionários também revelou uma carência na formação dos discentes, reflexo da formação dos educadores e da família, especialmente no que se refere ao silêncio sobre o tema, algo evidente entre os pais brancos. Diante disso, torna-se urgente a necessidade de descolonizar o currículo escolar, incorporando outras histórias que vão além da única, a qual desumaniza e retira a dignidade das pessoas (Adichie, 2019). Assim, a proposta deste trabalho busca contribuir para a formação de alunos que, historicamente, foram privados de conteúdos que abordem as mulheres negras no ensino de História, promovendo uma educação antirracista.

Biografia do Autor

Maria José Lima dos Santos, Universidade Federal de Sergipe

Mestranda pela Universidade Federal de Sergipe.

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Publicado

2025-12-01

Como Citar

Santos, M. J. L. dos. (2025). MARCADORES SOCIAIS E A PERCEPÇÃO DOS/AS ESTUDANTES SOBRE RACISMO E MULHERES NEGRAS NO ENSINO DE HISTÓRIA. ANAIS DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA E EDUCAÇÃO, 5(1), 01–02. Recuperado de https://revistas.ceeinter.com.br/anaisseminariodehistoriaeeducaca/article/view/2857