AS HISTÓRIAS QUE NÃO TE CONTAM
ESCREVIVÊNCIAS DA ESCOLA INTEGRADA 2 DE MAIO
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Escrevivências, Hip Hop, Colonialismo, Africanidade, PoesiaResumo
As histórias que não te contam: escrevivências da escola Integrada 2 de Maio são um estudo de caso, de base etnográfica, que parte de minha vivência como professor da disciplina de história em uma escola ligada à rede estadual de ensino de Fortaleza-CE entre os anos de 2010 e 2025. A dissertação vem sendo produzida pelo mestrado profissional em História da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, sob a orientação da professora Silviana Fernandes Mariz. Localizada no bairro Passaré, a instituição analisada fica entre o cemitério do Parque da Paz e o Centro Socioeducativo Dom Bosco, zona sul de Fortaleza, a cerca de 2,5 km do famoso estádio de futebol Arena Castelão. A partir de 2020, a Integrada, como costuma ser chamada, deixou de ser uma escola regular de ensino fundamental e médio, para ser uma escola de ensino médio em tempo integral. A partir da reflexão sobre o papel do racismo e do colonialismo no cotidiano da comunidade escolar, assim como a partir da análise sobre a resistência a essas chagas, a pesquisa perseguiu a seguinte questão: quando os sujeitos sociais silenciados são estimulados a se expressarem, o que eles nos contam? Quando a comunidade escolar conta a sua própria história - suas escrevivências - quando a história local é escovada à contrapelo, o que submerge das profundezas? Que narrativas encontraremos? Dessa forma, a pesquisa se debruça sobre dezenas de relatos da comunidade escolar, produzidos no formato de crônicas ou poemas por alunos, ex-alunos e pelo autor da pesquisa. Trata-se de um estudo produzido a partir da observação chamada de participante, onde há um intenso grau de interação entre o pesquisador e seu objeto. A pesquisa se situa nos marcos da celebração dos vinte anos de luta pela aplicação da Lei n.º 10.639/03, responsável por incluir no currículo oficial das redes de ensino de todo o país, inclusive do Ensino Superior, a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira". Assim como nos marcos das celebrações dos cinquenta anos de resistência da cultura Hip Hop. A partir das produções artísticas, debrucei-me sobre as várias faces da violência urbana que ronda a escola, sobre as permanências de uma violência colonial cotidiana. As histórias que não te contam, ao serem contadas, nos mostraram a relação da comunidade escolar com a morte, com uma saúde mental comprometida, com as opressões e apontaram para a possibilidade de resistências articuladas pela socialização de experiências, pela ressignificação do local e pelo compartilhamento da autoridade. Os silenciados puderam confrontar uma história oficial produzida e legitimada por uma elite branca a partir da sua própria versão do cotidiano, a partir de suas próprias escrevivências, a partir da compreensão de si como sujeito histórico. Ao final da pesquisa, entregaremos à biblioteca da escola um Diário Digital de histórias, memórias e afetos com o conjunto de manifestações artísticas produzidas pela comunidade escolar durante o recorte estudado e organizaremos um evento de lançamento do material.