ITINERÁRIOS FORMATIVOS (IFAs) COMO CRIAÇÃO E COMO CRÍTICA
UMA DISCUSSÃO A PARTIR DO SABER DA EXPERIÊNCIA
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Novo Ensino Médio, Educação, Democracia, Experiência, PartejarResumo
Este trabalho pretende realizar uma análise crítica das pressões contemporâneas enfrentadas pela escola, frequentemente submetida a discursos de “inovação, renovação e redução”, os quais tendem a esvaziar o seu papel social em nome de uma eficiência utilitarista. Também busca propor uma alternativa aos Itinerários Formativos de Aperfeiçoamento, forma pedagógica implementada com pelo Novo Ensino Médio. Para isso, defende-se que as soluções para os problemas da escola devem ser buscadas em sua própria realidade, a partir de seus sujeitos, práticas e contextos. Parte-se da premissa de que os desconfortos e os conflitos são elementos constitutivos e necessários tanto à democracia quanto à transformação social, as quais se iniciam no grupo e tem nele sua força propulsora. O planejamento pedagógico é concebido como hipótese dinâmica, sensível ao inusitado e ao saber que emerge da experiência, reconhecendo e valorizando a pessoa humana como centro do processo educativo. Discutem-se os Itinerários Formativos como dispositivos que fortalecem a (trans)formação continuada, a partir da valorização da prática docente e da escuta ativa entre pares. Os Itinerários Formativos, nesse sentido, configuram-se como espaço de (re)construção da escola que se deseja: pública, democrática, plural e crítica. De modo a reconhecer a escola também como locus de pesquisa, onde a prática pedagógica se constitui como objeto de investigação, análise e intervenção crítica. A ação do sujeito no mundo é orientada pelo processo contínuo de autoconstrução – “partejar-se a si mesmo” – no exercício reflexivo dos papéis sociais ocupados. Critica-se a lógica utilitarista aplicada à escola, reafirmando seu caráter de espaço público, coletivo e compartilhado, que não pertence a um único indivíduo, mas a todos - aquilo que Paulo Freire chamaria de uma “educação bancária”. Por fim, ressalta-se a importância de aprender a aprender no âmbito de uma escola compreendida como espaço de convivência, debate, resistência e formação integral.