ESCOLA PRISIONAL
INTERSEÇÕES ENTRE CULTURA ESCOLAR E CULTURA CARCERÁRIA
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Sistema Prisional, Educação, RessocializaçãoResumo
Partindo do ditado popular “A prisão é a escola do crime”, este trabalho discute as relações entre sistema prisional e educação no Brasil, apontando a baixa escolaridade e a exclusão social como intrínsecos ao perfil majoritário dentro do cárcere: homens jovens, negros e pobres. Através de levantamento bibliográfico, foi questionado o papel da educação na ressocialização dos apenados, situando-a no contexto do positivismo e capitalismo do século XIX, quando tanto a escola quanto a prisão são institucionalizadas no Brasil enquanto mecanismos de controle populacional. O trabalho destaca os paradoxos e as falhas de ambas as instituições nas tentativas de socialização e ressocialização: a educação, compreendida como ferramenta de transformação do indivíduo, ainda promove experiências negativas que colaboram com a continuação de um perfil do sujeito encarcerado; e a prisão, por sua vez, é marcada pela elaboração de uma cultura própria, baseada em violências e privações, entrando em conflito direto com os valores extramuros que a escola prisional tenta impor. Conclui-se então, que a escola na prisão também falhará em sua proposta de ressocialização ao propor um ensino unicamente profissionalizante, dando continuidade à exclusão daqueles que já eram marginalizados antes do encarceramento, e que, para ser genuinamente emancipatória, a educação prisional precisa transgredir com os modelos tradicionais e enfrentar as raízes da segregação social, oferecendo não somente qualificação, como também dispositivos de emancipação que ressignifiquem as trajetórias do aluno-detento, viabilizando o pensamento crítico e a autonomia para desafiar o sistema que o subalterniza.