CORPOS EM EXIBIÇÃO
REDES SOCIAIS, PADRÕES DE BELEZA E A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE FEMININA
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Redes Sociais, Padrões de Beleza, Identidade FemininaResumo
Este trabalho analisa o fenômeno da artificialização feminina nas redes sociais, entendido como um processo em que se criam identidades performáticas e visualmente editadas, influenciadas pelos padrões de beleza e comportamentos impostos pela cultura da imagem. Essas transformações estéticas funcionam como formas de adaptação, fazendo com que quem não tem um corpo que se encaixe nos padrões dominantes, difundidos pela mídia, tente se ajustar a essas expectativas sociais (Sibilia, 2008). As redes sociais, ao priorizarem conteúdos que seguem esses padrões, especialmente para o público feminino, acabam intensificando a objetificação do corpo e provocam impactos importantes na forma como as mulheres percebem sua identidade, autoestima e se relacionam socialmente. Nesse sentido, Beauvoir (1967) destaca que, desde cedo, ensina-se às meninas que seu valor está em agradar ao outro, sendo educadas a se enxergar como objeto, como se a aparência fosse tudo o que têm a oferecer. A pesquisa foi feita por meio de revisão bibliográfica, com base em autores como Bauman (2007), Sibilia (2008), Beauvoir (1967) e Goffman (1985), além de artigos que discutem o tema. O objetivo foi entender, como as redes sociais facilitam a criação de identidades artificiais, moldadas por padrões de beleza inalcançáveis e pela busca constante por aceitação. Os resultados mostram que essa artificialização do eu reflete a modernidade líquida, segundo Bauman (2007), onde o corpo vira produto e objeto de consumo. Nesse contexto, o mercado oferece produtos e ideais que tentam satisfazer desejos, mas também cria novas necessidades, mantendo um ciclo de insatisfação que pode levar à compulsão. Além disso, a exposição constante a esses padrões funciona como uma forma de idealização no sentido de Goffman (1985, p. 41), quando o indivíduo “incorpora e exemplifica os valores oficialmente reconhecidos pela sociedade, ao se apresentar diante dos outros”. Ou seja, nas interações sociais, as pessoas “encenam” papéis, ajustando comportamento e aparência conforme o que esperam delas. Essa pressão estética nas redes sociais provoca efeitos psíquicos como ansiedade, baixa autoestima e sentimentos de inadequação, principalmente entre os jovens (Bastos et al., 2024). Por fim, conclui-se que a artificialização do eu nas redes é um fenômeno complexo que exige reflexões e práticas de educação midiática que promovam o uso crítico das redes e valorizem a diversidade das identidades.