“MAIS UMA FORMA DE RESISTÊNCIA”
PRÁTICAS, SABERES E RUPTURAS NOS ANOS INICIAIS DA ESCOLA DE APLICAÇÃO DA FEUSP (2011-2024)
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Escola de Aplicação da FEUSP, Cultura Escolar, Práticas Pedagógicas Diferenciadas, Saberes Docentes, Anos IniciaisResumo
Esta comunicação busca analisar as relações entre a cultura escolar da Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (EAFEUSP) e as práticas pedagógicas diferenciadas nela realizadas nos três primeiros anos do Ensino Fundamental I. A origem da EAFEUSP remonta a 1958, na cidade de São Paulo, com a criação de uma classe experimental vinculada ao Centro Regional de Pesquisas Educacionais (CRPE-SP), que atuou inicialmente como Escola Experimental e, posteriormente, como Escola de Demonstração, até sua incorporação à Faculdade de Educação da USP, em 1972. Atualmente, a Escola possui 53 professores/as efetivos/as e atende uma média de 732 alunos/as anualmente. Em consonância com o seu projeto político-pedagógico, que visa a promover práticas pautadas na valorização da pluralidade e no respeito às diferenças, a instituição iniciou, em 2011, a implementação de Atividades Diferenciadas no Ensino Fundamental I (EFI), com a finalidade de assegurar a equidade e a inclusão. Essas práticas pedagógicas diferenciadas são realizadas por meio de agrupamentos durante o turno escolar e em dias específicos, envolvendo o trabalho conjunto entre professoras, bolsistas e estagiários/as. Desde 2018, contemplam Alfabetização, Língua Portuguesa e Matemática. Tal iniciativa considera os diferentes ritmos e as necessidades de aprendizagem dos/as estudantes, bem como a heterogeneidade das turmas – cujos perfis socioeconômicos e culturais são distintos –, uma vez que o ingresso escolar ocorre por sorteio público de 60 vagas para o 1º ano do EFI, distribuídas igualmente entre três categorias. Considerando que o que a escola produz e a forma como o faz permitem tanto desvelar sua “caixa preta” quanto constituir sua própria história ao longo do tempo, indaga-se: que articulações se depreendem entre a cultura escolar da EAFEUSP e as Atividades Diferenciadas realizadas no Ensino Fundamental I? Para tanto, a presente pesquisa, vinculada ao Projeto Temático Saberes e práticas em fronteiras: por uma história transnacional da educação (1810-...), processo FAPESP 2018/26699-4, e amparada nos princípios éticos, reuniu como fontes nucleares: documentos escolares produzidos desde 2011; entrevistas e conversas sistemáticas com uma das docentes responsáveis pelo projeto; interações no planejamento pedagógico com essa professora e demais docentes dos Anos Iniciais; breve biografia de cinco professoras; e observações das práticas no 1º ano do EFI, composto por três turmas de 20 crianças, totalizando 60. A análise fundamentou-se nas noções de cultura escolar, de Azanha (1990/1991), Julia (2001) e Viñao Frago (2001, 2005); no conceito de cultura profissional docente, de Hargreaves (1998); e nas perspectivas de saberes docentes, de Tardif (2000, 2014). Constatou-se que a vinculação entre a cultura escolar da EAFEUSP e as Atividades Diferenciadas no EFI ocorre mediante a articulação entre a continuidade de seus princípios formativos – voltados à diversidade, à equidade e à inclusão – e o rompimento com a forma escolar, a partir da recriação dos tempos e espaços escolares por meio dessas práticas. Destaca-se, ainda, o protagonismo das professoras e a colaboração entre elas nessa forma de reconfiguração, ao mobilizarem saberes entrelaçados e diversos, oportunizando a produção e incorporação de um saber-fazer docente próprio, em prol da cultura inclusiva da EAFEUSP.