ONDE ESTÃO OS NEGROS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL?
OS DESAFIOS DO ENSINO MÉDIO NO CONTEXTO DA PESSOA NEGRA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
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Racismo estrutural, Deficiência intelectual, Interseccionalidade, Permanência escolar, Ensino médioResumo
A pesquisa intitulada “Onde estão os negros com deficiência intelectual?” propõe-se a investigar os desafios enfrentados por estudantes negros com deficiência intelectual no processo de escolarização, permanência e conclusão do ensino médio. A partir de uma abordagem interseccional (AKOTIRENE, 2019; CRENSHAW, 2002) e descolonial, a pesquisa analisa como o racismo estrutural, somado à deficiência intelectual historicamente invisibilizada, constitui um obstáculo agravado à permanência escolar, especialmente para estudantes pertencentes a grupos racializados e em situação de vulnerabilidade social. O projeto se insere na linha de pesquisa "Formação de Professores, Cultura e Diversidade", articulando-se à crítica ao modelo educacional excludente, ainda moldado por padrões eurocêntricos e capacitistas (SKLIAR, 2003). Tomando como base uma experiência empírica da pesquisadora enquanto docente da rede pública de Campo Grande-MS, a investigação surgiu da inquietação com o desaparecimento progressivo de estudantes negros com deficiência intelectual ao longo da trajetória escolar, especialmente na transição do ensino fundamental para o médio. O objetivo geral é analisar a relação entre racismo estrutural e deficiência intelectual como fatores determinantes da evasão escolar e suas implicações sociais para a pessoa negra com deficiência. Os objetivos específicos incluem a análise de dados educacionais de escolas públicas, a realização de entrevistas com docentes, estudantes, familiares e equipes gestoras, e a elaboração de propostas pedagógicas que favoreçam à inclusão desses sujeitos no processo de ensino-aprendizagem. A metodologia é de natureza quanti-qualitativa, com levantamento de dados em três escolas da rede municipal (anos finais do ensino fundamental) e uma escola estadual de ensino médio, todas situadas na região urbana de Campo Grande-MS. Serão utilizados questionários on-line, observações, entrevistas semiestruturadas, bem como análise documental de registros escolares e bases de dados da SEMED, SED, IBGE e INEP. A fundamentação teórica dialoga com Skliar (2003), Vygotsky (1993) e Pinheiro (2023) no campo da educação e da deficiência; com Munanga (2004) e Fanon (2008) nas reflexões sobre o racismo; com Crenshaw (2002) e Akotirene (2019) no debate sobre interseccionalidade; além das críticas de Marx (2011) e Derrida (2001) ao modelo de escola reprodutora de desigualdades. Ao apontar as lacunas da política pública educacional para estudantes negros com deficiência intelectual, este estudo busca visibilizar corpos historicamente apagados, contribuindo para a construção de práticas pedagógicas mais humanizadoras e anticapacitistas. Espera-se, ao final, propor estratégias de formação para professores e ações de apoio institucional que promovam a equidade racial e educacional, assegurando a permanência e a conclusão escolar desses sujeitos. O estudo também visa fortalecer o debate público sobre a importância da escola enquanto espaço de afirmação de direitos, identidade e pertencimento para a população negra e com deficiência no Brasil contemporâneo.