ESTUDOS AMAZÔNICOS NA ESCOLA
TRAJETÓRIAS HISTÓRICAS E DESAFIO NO ENSINO DE CIÊNCIAS HUMANAS
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Estudos Amazônicos, Ensino de Ciências Humanas, Epistemologias do Sul, Educação no Pará, Currículo escolarResumo
Este trabalho propõe uma reflexão crítica sobre a construção epistemológica da disciplina Estudos Amazônicos, tomando como recorte temporal o período de 1990 a 2000, com ênfase na realidade educacional do estado do Pará. A pesquisa parte do pressuposto de que os Estudos Amazônicos não apenas constituem um campo de saber interdisciplinar, mas também representam uma resposta histórica à necessidade de valorização dos saberes locais, das identidades regionais e das epistemologias do Sul. A disciplina Estudos Amazônicos torna-se dentro do campo disciplinar ciências humanas uma alternativa para trabalhar saberes tradicionais, meio ambiente, floresta, relação homem-natureza, conflitos sociais e processos históricos dentro das diferentes escalas de análises como o par local/nacional e local/global. Usamos como aporte teórico-metodológico Chervel (1990), Bittencourt (2018), Alves (2020), Teixeira Júnior (2016), Amado; Ferreira (2006), Revel (1998) entre outros. A partir de fontes documentais, curriculares e entrevistas com docentes, analisa-se o percurso de institucionalização da disciplina no contexto das reformas educacionais dos anos 1990 apresentando o papel assumido pelo Instituto de Desenvolvimento Social do Pará (Idesp), do Conselho de Estado de Educação (CEE-PA) e da Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc-Pa), com isso, destaca-se ao longo deste trabalho os desafios enfrentados para sua consolidação nas práticas pedagógicas das Ciências Humanas. Argumenta-se que a emergência dos Estudos Amazônicos como disciplina no ensino fundamental paraense implicou tensões entre currículos nacionais padronizados e demandas locais por uma educação contextualizada. O estudo evidencia que, embora marcada por avanços, a trajetória da disciplina ainda exige esforços para que se estabeleça como componente curricular capaz de promover uma formação transdisciplinar e comprometida com a realidade amazônica, ainda se apresenta como lugar de pensar o campo disciplinar Estudos Amazônicos dentro das ciências humanas de maneira disciplinar.