O OFÍCIO DE PESCADOR EM TRAMANDAHY NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

POVOAMENTO E FORMAS DE PRODUÇÃO NÃO CAPITALISTA

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Autores

  • Maria Augusta Martiarena Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul

Palavras-chave:

Pescadores, Formas de produção não capitalista, História da Educação Profissional

Resumo

A pesca, enquanto atividade laboral humana, origina-se de períodos bastante remotos da história da humanidade. Caçadores e coletores converteram-se em pescadores, conforme a proximidade a regiões próximas a rios e lagos. O extrativismo da natureza que respondera, então, à divisão sexual do trabalho e às necessidades de subsistência dos grupos nômades, vivenciou transformações ao longo do tempo, especialmente respondendo às estruturas sociais nas quais será historicamente enquadrada. O ensino de tal ofício remonta a estruturas anteriores ao advento do capitalismo, apresentando-se como o que Tiriba (2023) denomina de reprodução ampliada da vida e espaços/tempos da produção não capitalista.  Justifica-se que a História da Educação antecede a constituição da própria escola, portanto, o estudo de espaços informais de ensino também se insere nesse campo de pesquisa. Este trabalho propõe-se a analisar as concepções da atividade de pescadores em Tramandaí, cidade do Litoral Norte do estado do Rio Grande do Sul, tendo em vista o papel que tais trabalhadores ocuparam no povoamento e na constituição identitária local. Para embasar teoricamente o presente estudo, além de buscar referências sobre a história social e econômica de Tramandaí, buscou-se referenciais teóricos sobre o trabalho em zonas periféricas do capitalismo, pautando-se notadamente nos estudos de Gramsci a partir de Hobsbawm (2011) e Ciavatta (2002), bem como em  a já mencionada Tiriba (2023). A partir da constituição dos referenciais teórico-metodológicos anteriormente mencionados, iniciou-se a identificação de documentos que poderiam se constituir em fontes de pesquisa para a presente investigação. Sejam elas: Fotografias identificadas e sistematizadas no perfil do Facebook “Memória Tramandaiense” e que foram produzidas pelo fotógrafo Severo Horgnies; os Relatórios Intendenciais e Leis Orçamentárias de Conceição do Arroio, entre os anos de 1904 a 1929 (localizados no acervo do Centro de Documentação do Centro de Estudos e Investigações em História da Educação - CEDOC-CEIHE da UFPel); as menções à pesca nos censos do estado do Rio Grande do Sul durante a primeira metade do século XX, disponíveis na compilação dos dados organizada pela Fundação de Economia e Estatística do Estado do Rio Grande do Sul em 1981. Embora a atividade da pesca seja caracterizada por uma certa antiguidade, sua trajetória é marcada pelas transformações em esfera econômica e social no decorrer dos tempos. Embora possamos identificar sua gênese ainda entre povos nômades, este trabalho situa-se em um contexto histórico determinado: Tramandaí (ainda parte de Conceição do Arroio e posteriormente emancipada) ao longo dos séculos XX e XXI. Tal atividade é uma constante entre a população local, mas a forma como foi exposta ou difundida refere-se a sua compreensão como elemento pitoresco para os veranistas do litoral norte do Rio Grande do Sul.  É importante compreender tais classes como tradicionais, distanciadas em determinado momento da produção industrial e depois relacionada a ela, a partir do que Rudé (1982) e Hobsbawm (2011) aprendem de Gramsci. Contudo, deve-se ter em conta que não são os trabalhadores os produtores de suas próprias fotografias, mas que sua produção ocorre para atender determinadas intencionalidades e determinados públicos.

Biografia do Autor

Maria Augusta Martiarena, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul

Doutora e Pós-doutora em Educação. Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul

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Publicado

2025-12-01

Como Citar

Martiarena, M. A. (2025). O OFÍCIO DE PESCADOR EM TRAMANDAHY NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX: POVOAMENTO E FORMAS DE PRODUÇÃO NÃO CAPITALISTA. ANAIS DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA E EDUCAÇÃO, 5(1), 01–02. Recuperado de https://revistas.ceeinter.com.br/anaisseminariodehistoriaeeducaca/article/view/2793