ENTRE TERRITÓRIOS E PALAVRAS
A LITERATURA DE INDÍGENAS MULHERES COMO PRÁTICA DE RESISTÊNCIA E INTERSECCIONALIDADE DECOLONIAL
Visualizações: 23Palavras-chave:
Narrativas Decoloniais, Indígenas Mulheres, Literatura de Resistência, Diversidade, Direitos HumanosResumo
O presente trabalho aborda a importância da literatura indígena feminina e a interseccionalidade das questões de gênero no Brasil, destacando as contribuições de autoras como Eliane Potiguara, Maria Lugones e Julieta Paredes. Fundamenta-se na necessidade de visibilizar as vozes das indígenas mulheres, frequentemente silenciadas na história oficial, e evidencia seu protagonismo na resistência cultural e política. A metodologia adotada consiste em uma análise qualitativa, de base bibliográfica, com ênfase em obras literárias e produções teóricas dessas autoras, buscando compreender como suas experiências e discursos articulam gênero, raça, classe e colonialidade. Entre os resultados e discussões alcançados, observa-se que Potiguara (2018), em sua obra “Metade cara, metade máscara”, reflete os impactos históricos da colonização sobre os povos indígenas, enfatizando a condição de vulnerabilidade das mulheres, marcadas por elevados índices de mortalidade materna e discriminação. Maria Lugones (2014) contribui com o conceito de colonialidade do poder, ao discutir como a opressão de gênero se entrelaça com a racialização e as desigualdades de classe, reforçando a necessidade de uma abordagem interseccional. O GRUMIN (Grupo Mulher-Educação Indígena), fundado por Potiguara em 1987, é ressaltado como iniciativa fundamental na luta pelos direitos das indígenas mulheres, ao oferecer espaços de escuta, articulação e afirmação identitária. Além disso, destaca-se a atuação histórica das mulheres indígenas na administração de seus territórios e na transmissão de valores éticos e culturais. As autoras Lopes Kayapó (2023) e Correa Xakriabá (2018) aprofundam a complexidade da identidade indígena e a articulação entre feminismo e luta indígena, apontando que suas vivências não podem ser enquadradas por modelos únicos de feminismo. As Marchas das Mulheres Indígenas, por sua vez, ganham relevância como forma de visibilidade e reivindicação por justiça social e ambiental. Nesse contexto, as indígenas mulheres se afirmam como protagonistas nas lutas pela recuperação territorial e valorização de suas culturas, mobilizando estratégias de resistência e preservação de suas identidades. As considerações finais reforçam a necessidade de reconhecimento e valorização das trajetórias dessas mulheres, defendendo uma abordagem crítica e inclusiva que contemple as interseccionalidades de gênero, raça e classe. Compreender essas experiências é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, plural e descolonizada.