Democracia e gênero
O avanço dos discursos da extrema direita e os ataques do bolsonarismo aos corpos LGBTQIAPN+
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https://doi.org/10.56579/cor.v1i10.2489Parole chiave:
Bolsonarismo, Corpos LGBTQIAPN+, Extremismo, Gênero, PoderAbstract
Este artigo problematiza acerca dos discursos de alguns líderes políticos mundiais e os impactos disso em relação ao avanço da extrema direita no Brasil, o bolsonarismo e seus impactos sobre os sujeitos e corpos LGBTQIAPN+ e as políticas de gênero, antigênero a partir de uma abordagem interdisciplinar embasada em autores como Foucault (2014; 2017; 2021), Butler (2013; 2018; 2021), Bourdieu (2019; 2021), Semelin (2009), Levitsky e Ziblatt (2018), Quadros (2020) e Preciado (2020; 2022; 2023). Nesse viés, a questão problema é: como o avanço da extrema direita tem exercido o controle e a repressão de corpos e subjetividades não cisheteronomativas, articulando elementos de poder, teórico-filosóficos, sociológicos, de gênero e políticos. E, o objetivo principal é debater acerca dos discursos propagados pelo bolsonarismo e as reflexões em relação ao avanço dessa extrema direita em alguns países, principalmente no Brasil, e seus impactos sobre os sujeitos, os corpos LGBTQIAPN+ e as políticas antigênero. Esta é uma pesquisa bibliográfica, descritiva e de abordagem qualitativa. Ao debater acerca da atuação sobre corpos e subjetividades dissidentes, utilizando os discursos extremistas, que se apropriam da religião, da fé e do moralismo e a falácia sobre a manutenção da ‘família patriarcal tradicional’ e o controle em relação às ‘normas pré-estabelecidas’ como aceitas e naturais, o artigo possibilita perceber que estes discursos visam excluir, menosprezar, criminalizar e invisibilizar sujeitos. O artigo analisa a retórica antigênero e, como isso, faz observar que os discursos extremistas se sustentam impondo e afirmando que as pessoas em desacordo com a cisheteronormatividade são ‘inimigas morais’ em relação às bases democráticas cisheterorreguladoras. Por fim, destaca-se a importância da resistência performativa corporal LGBTQIAPN+ e da reexistência como formas de afirmação da vida plural em tempos de intolerância e avanço mundial da extrema direita.
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