Tem trans free?

Estratégias políticas de inclusão de pessoas trans e travestis nas produções culturais-musicais em Recife

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Autori

Parole chiave:

Lista trans, Políticas culturais, Música, Cultura LGBT

Abstract

A cena artístico-cultural brasileira tem se transformado com o crescimento de artistas LGBT+, mas a sub-representação de pessoas trans ainda é um desafio. A ausência simbólica impacta diretamente as oportunidades de inserção dessa população nos espaços culturais. Em resposta a essa exclusão, a política da Lista Trans (ou Trans Free) foi criada em 2015, em Recife, pela multiartista Ana Gizelle, garantindo gratuidade para pessoas trans e travestis em festas e festivais. Em 2017, o Coquetel Molotov tornou-se o primeiro grande festival a adotar a iniciativa. Em 2023, 15 festivais nacionais implementaram a política, um aumento de 150% em relação a 2022. No entanto, eventos como GRLS e Lollapalooza destinaram menos de 1% de ingressos à lista. No circuito de festas recifenses, coletivos como Golarrolê, Casa Bacurau e Batekoo aderiram à iniciativa, enquanto eventos como Revérse e WeHoo apresentaram baixa inclusão de artistas trans. Festivais como Guaiamum Treloso também evidenciam essa sub-representação. A pesquisa investigou como a exclusão de pessoas trans nos palcos e bastidores das produções culturais recifenses afeta sua participação como público, além de avaliar o impacto da política Trans Free. Para isso, foi aplicado um survey de caráter quantitativo e qualitativo, mapeando a presença trans nos lineups e identificando eventos que adotam a política. Os dados demonstram que, apesar do crescimento da Lista Trans, a presença trans ainda é limitada, com muitos eventos mantendo barreiras à inclusão. A pesquisa conclui que a Lista Trans tem um papel essencial na ampliação do acesso de pessoas trans e travestis à cultura, mas enfrenta desafios estruturais na indústria cultural.

Biografie autore

Rubi de Paula Oliveira, Universidade Federal de Pernambuco

Graduanda em Ciências Sociais (Licenciatura) pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é pesquisadora, articuladora política e agitadora cultural. Atua prioritariamente nas inter-relações entre Cultura, Arte e Gênero e Sexualidade, com enfoque em Cultura LGBT, mas também nas áreas de Audiovisual, Educação e Comunicação Social, onde incide a partir do ensino, da pesquisa e da extensão. Atualmente desenvolve, voluntariamente, pesquisa de iniciação científica (PIBIC) no projeto "Cantautoras negras da música brasileiras: biografias e representações", sob orientação da Prof Dr Luciana Mendonça; faz parte do programa de iniciação à docência (PIBID) no projeto coordenado pela Prof Dr Mikelly Gomes, e integra o Laboratório de Antropologia Visual (LAV) da UFPE, coordenado pelo Prof. Dr. Alex Vailati. Atuou na ONG TODXS enquanto Analista de Pesquisa Qualitativa e Consultora de Diversidade e Inclusão, bem como no Programa de Educação Tutorial (PET) de Ciências Sociais da UFPE. Possui experiências diversas com pesquisa de campo, pesquisa social (qualitativa/quantitativa), consultoria em diversidade e inclusão, organização de eventos e transcrição de entrevistas. Seus interesses são: artivismo, cultura LGBT, produção cultural, antropologia (audio)visual, sociologia da música, teoria queer/cuír, curadoria, performance e políticas culturais.

Júlia Maria Oliveira Tavares Leite, Universidade Federal de Pernambuco

Graduanda em Ciências Sociais (Bacharelado) pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Integrante do Programa de Educação Tutorial (PET) de Ciências Sociais, com interesse em sociologia e teoria social contemporânea.

Riferimenti bibliografici

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Pubblicato

2026-01-31

Come citare

Oliveira, R. de P., & Leite, J. M. O. T. (2026). Tem trans free? Estratégias políticas de inclusão de pessoas trans e travestis nas produções culturais-musicais em Recife. COR LGBTQIA+, 2(10), 92–104. Recuperato da https://revistas.ceeinter.com.br/CORLGBTI/article/view/2036

Fascicolo

Sezione

Artigos