Corpos à venda
Mercantilização de mulheres trans na vitrine do capitalismo digital
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https://doi.org/10.56579/cor.v1i9.1849Parole chiave:
Capitalismo digital, Mulheres trans, Mercantilização de corposAbstract
O capitalismo digital tem reconfigurado profundamente as relações sociais, econômicas e culturais, transformando corpos em mercadorias e performances em produtos de consumo. Nesse cenário, as mulheres trans ocupam uma posição ambígua: ao mesmo tempo em que ganham visibilidade e, em alguns casos, autonomia financeira por meio de plataformas digitais, são submetidas a processos de fetichização, exploração e marginalização. Este artigo analisa a dinâmica da mercantilização de corpos trans no contexto do capitalismo digital, com foco nas mulheres trans que, devido às barreiras sistêmicas de exclusão social e discriminação, são frequentemente empurradas para trabalhos sexualizados em plataformas online. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com base em revisão bibliográfica crítica e análise de conteúdo de perfis em plataformas digitais voltadas à prática da prostituição como forma de comercialização dos corpos trans. O texto investiga como a performatividade de gênero e a biopolítica operam no ambiente digital, transformando identidades trans em objetos de consumo. Enquanto as plataformas oferecem espaços de autoexpressão e geração de renda, também reproduzem dinâmicas de poder desiguais, nas quais mulheres trans são reduzidas a produtos fetichizados, apagando suas lutas e subjetividades. A interseccionalidade é mobilizada para evidenciar como raça, classe e gênero se articulam na intensificação das opressões vividas por essas mulheres, especialmente as negras. O artigo também reflete sobre a contradição entre visibilidade e violência: apesar da ampla exposição de seus corpos, mulheres trans seguem vulneráveis à marginalização e à violência física. A crítica ao capitalismo digital vai além da denúncia e propõe caminhos de resistência política, ética e social, com foco na construção de plataformas mais igualitárias e no reconhecimento da dignidade das identidades trans.
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