A teoria do etiquetamento na criminalização simbólica de dissidências de gênero

Análise do PL nº 1.838/23

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Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.56579/cor.v4i10.3064

Mots-clés :

Criminologia, Etiquetamento, Cisnormatividade, Banheiro

Résumé

O artigo analisa criticamente o Projeto de Lei n.º 1.838/23, que propõe restringir o uso de banheiros escolares por pessoas dissidentes de gênero, à luz da Criminologia e da Teoria do Etiquetamento. Trata-se de um estudo de natureza teórico-analítica e normativa, cujo objetivo é demonstrar como a proposição legislativa mobiliza uma presunção de periculosidade atribuída às dissidências de gênero, operando mecanismos de estigmatização e controle social incompatíveis com o paradigma da proteção integral. Adota-se metodologia qualitativa, com método dedutivo, utilizando como procedimentos a análise documental do projeto de lei e de sua justificativa parlamentar, bem como revisão bibliográfica interdisciplinar em criminologia, direito constitucional, estudos de gênero e direitos humanos. Os resultados da análise indicam que o discurso legislativo estrutura-se a partir de pressupostos cisnormativos e biologicistas, representando o corpo dissidente de gênero como ameaça potencial à segurança de crianças e adolescentes, ao mesmo tempo em que invisibiliza as violências sistematicamente dirigidas a pessoas LGBTQIA+ no ambiente escolar. Evidencia-se, ainda, que o banheiro escolar é instrumentalizado como tecnologia de gênero, convertendo-se em espaço de vigilância, segregação e produção normativa do desvio. Conclui-se que o projeto de lei opera como tecnologia simbólica e jurídica de repressão a um “desvio” lícito, reforçando a seletividade e a função histórica da escola como instância de controle social, em afronta aos princípios da dignidade da pessoa humana, da igualdade e da não discriminação, além de carecer de respaldo empírico que sustente as premissas de risco invocadas em sua justificativa.

Biographie de l'auteur

Grégori Lucas Dias da Silva, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa

Graduando em Direito na Escola de Direito do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa em Brasília. Foi integrante da Clínica de Direitos Humanos do IDP. É membro da Liga LGBT do IDP, da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e da Associação Brasileira de Estudos da Trans-Homocultura (ABETH). É integrante do Grupo de Pesquisa sobre Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, do Grupo de Pesquisa e Extensão em Políticas Criminais Carcará e do Observatório de Direitos Humanos, todos do IDP, e bolsista e coordenador do eixo acadêmico da (R)existir - Núcleo LGBT+ da Universidade de Brasília (UnB). É membro ouvinte da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB/DF (2025-2027). Tem interesse nas áreas de pesquisa acadêmica sobre Direito Constitucional, Direito Penal e Processual Penal, Criminologia e Direito e Diversidade. Email: gregorilucas10@gmail.com.

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Publiée

2026-06-18

Comment citer

Silva, G. L. D. da. (2026). A teoria do etiquetamento na criminalização simbólica de dissidências de gênero: Análise do PL nº 1.838/23. COR LGBTQIA+, 4(10), 210–230. https://doi.org/10.56579/cor.v4i10.3064